(Interessado: Sociedade dos Poetas Mortos)
Acabo de rever muitas das fotos que foram tiradas ao longo deste ano nos saraus que juntos realizamos tanto naquela que foi considerada a nossa primeira casa de cultura como na casa de cultura do morro azul na pizzaria via livre no paiol no buonna pizza na igreja santo afonso e nem sei onde mais e nem sei quanta gente foi literalmente tocada pelos eflúvios benfazejos deste sopro de cultura em forma de teatro musica poesia dança e cinema que invadiu nossa pacata são sebastião nestes tempos em noites festivas e de doce lembrança fosse recitando poesia ou jogando uma bela partida de xadrez ao som de mpb ou de autentica música sertaneja deliciando-nos com a sensual dança do ventre ou com a batida eletrônica do hip-hop comendo pizza e degustando a arte feita pelas nossas próprias mãos e fugindo de macaquear a produção alienígena independemente do fato de ser boa ou má a arte que vem de fora para dentro mas priorizando aquela que boa ou má apesar de não sair dos limites da nossa restrita geografia é a que com efeito criamos.Ao rever estas fotos procuro fugir de qualquer tipo de saudosismo precoce uma vez que adotei este perfil de sólida impenetrabilidade emocional e não posso deixar vir à tona qualquer traço do bucólico sentimentalismo que escondo a sete chaves debaixo das minhas sete capas azuis sob pena de desabar ante o peso de ver sucumbir o que se poderia denominar um sonho acalentado durante meses diante do que intimamente apelidei de incompetência para o exercício da coletividade e que do alto da minha pseudosabedoria milenar e baianamente herdada do que há de melhor em elomar figueira e caetano veloso sem falar da minha proverbial modéstia que faria buda corar como uma virgem afegã se me afigura a principal fonte onde bebe a goles haustos o monstro da ignorância imbusbebável que gerou nos seus dois ventres insaciáveis o fruto podre evidenciado em egos dez vezes maiores que os próprios talentos alguns dos quais foram reverenciados no inicio desta minha fala vacilante porém auto-sustentável.
Afastar-me das atividades do sarau do via livre e da casa de cultura tornou-se imperativo ante o fato bastante conhecido por quem de direito de que nos bastidores dos eventos por nós capitaneados nestas duas frentes entre outras ocorriam situações de cunho acentuadamente egocêntrico que ao longo do tempo geraram mal estar de tal monta que o gosto quase gozoso da confraternização final em torno das fatias de pizza gentilmente fornecidas primeiramente pelo generoso eugenio e posteriormente pelo igualmente generoso saulo adquiriu um travo e um amargor ao longo dos vários saraus em virtude (ou vício) das pequenas rusgas rotineiras intermitentemente nocivas entre poucas porém importantes figuras do nosso restrito leque de personas que ao longo do percurso não conseguiram posicionar-se à altura do projeto diuturnamente elevado à categoria de vitrine do que de melhor se produzia neste nosso sofrido rincão eivado de olarias e oleiros que num momento pareciam dotados de mãos preparadas para o exercício da arte cidadania necessária para o encurtamento da distancia entre o centro e a periferia e no instante seguinte já eram flagradas no amealhar de dividendos assaz individualistas e francamente opostos aos ideais que cumulavam madrugadas freudiunguianas nas dependências do centrão entre o tabaco e o absinto.Não se quer aqui deixar sequer transparecer que a santidade tenha sido jamais um dos atributos deste cansado escriba autodidata e inédito forjado nas dependências destituídas de ventilação de um barraco de fundos no residencial do bosque cuja inocência tenha sido aviltada por ativistas extremistas do capitalismo selvagem no afã de mistificar covardemente disfarçados sob a bandeira vermelha que ora tem adquirido uns tons de rosa e violeta mas que nada impede seja de novo tingida com o vermelho vivo do sangue dos apóstatas desta verdadeira fé socialista no sentido mais humanista da proposta e que carece de siglas para manter-se viva em sua cor e perfume...
Paulo Dagomé
1º de novembro de 2005.
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on sexta-feira, 6 de junho de 2008
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Editoriais
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