Erros misteriosos  

Postado por d.b em

Certa vez, me envolvera profundamente numa coisa em que tal gravidade sua órbita estava bem longe da minha. Não era a lua minguando, nem Vênus, nem Marte. Como num arrebatar de emoções, a sua mente vai inchando, inchando, até parece que vai explodir. Pode até parecer uma simples dor de cabeça, mas a verdade é que mais que isso, acontece veridicamente.
Existem particularidades, e por tal causa seria ridículo cair-me a ponto de ignorá-las. Ou seja, por enquanto, nada do que eu falei faz algum sentido. E devido a esses transtornos que me fiz acreditar de que ultimamente eu não andava bem, apesar do salto e de algumas ruas esburacadas, não é nesse sentido que quero falar.
Digam-me se já pararam para pensar por que muitas vezes os mistérios são precisos? Eu não tenho idéia, só sei que faço muitos mistérios e acabo embaralhando as pessoas. Será isso uma anormalidade?
Os mistérios estão por todo o lado, enforcando nossos heróis, resgatando as princesinhas, demorando quinhentas páginas para morrer de câncer, enfim. Mas tomem muito cuidado para não confundi-los com os vilões.
É comum pararmos para conversar com alguém, e este começar a contar um caso. Ele vai enrolando até você ficar completamente apreensivo, confuso a ponto de querer ouvir até o fim da história, sem que nada fique subentendido, que, paradoxalmente, se isso ocorresse, não seria um mistério. De fato, o bom é desvendar todos eles, exatamente essa é a graça de inventar tantos. Mas por conta do comportamento humano, já sabemos o que irá acontecer depois que todo o tesouro for descoberto; você sabe? Eu sei, nada. Nada vai acontecer depois. Porém, depende do caso. Quem se habilita a responder sobre o mistério do sorriso enigmático de “La Gioconda”, a Monalisa?
Há quem deteste opiniões omitidas a respeito de seus próprios enigmas. De qualquer forma isso é realmente detestável, como alguns costumam sempre dizer ao outro, num tom agradavelmente íntimo e “particular”.
- Você não usa creme no cabelo? Então porque ele está seco assim?
- Você é muito tímida, né?
- Você tem que se comportar de outro jeito. Não pode escutar essas músicas. Por que não vai à igreja?
Essas e mais coisas que deixam qualquer um fora de órbita. Depois não cansam de dizer que você está com transtorno bipolar e precisa urgentemente de tratamento, que anda muito ignorante ultimamente. Mas o que isso tem a ver com os mistérios?
É simples. Cada um tem um jeito de ser, uma personalidade, obviamente distinta das outras. Sendo assim, individualmente, criamos o nosso modo de viver o mundo e vida e o mudamos à medida de nossos gostos e aprendizados. Nós nutrimos os nossos mistérios e só nós mesmos para desvendá-los. Claro, sem intromissões alheias.
As opiniões são diferentes. Elas nos fortalecem, nos alimentam. Os conselhos, que raramente são seguidos, sempre chegam numa hora exata de reflexão… Já as intromissões, digo que elas não são bem vindas, a não ser quando a evocamos. Muitas pessoas as misturam, fazem uma bola de neve. Depois é só esperar a avalanche.
Que manias são essas tão cruéis que o ser humano arruma para se complicar? Todos já passamos por situações cotidianamente complexas e que, na verdade, se tornaram mais ainda depois de nossas participações. Esse é mais um mistério: o mistério da convivência.Entre esse e muitos outros, acabamos por emendá-los, sempre. A lã não acaba nunca, pois ainda há muitos gatos para enrolá-la. No caso, nós representamos esses gatos, tão ingênuos, que caem em qualquer armadilha e que têm muito o que aprender.
Por acaso pensas que com o erro vamos ensinar o mundo? Não, os erros não param, são relógios, são constantes, como os engarrafamentos no trânsito da capital paulista. O que vem a ser a certeza de que se faz uma coisa certa? Não sabemos, não saberemos nunca, ao menos se ainda houver esperança.
Mas viva os nossos erros e mistérios de cada dia! Errar para não morrer, mas buscar o rumo certo das coisas.
Denny Santos
29/03/2008

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