Hipocrisia corajosa  

Postado por d.b em

Não vejo nuvens no céu, nem o
firmamento azul.
Ao menos se eu conseguisse abrir os
olhos poderia ver
O que outrora não via, ao menos se eu
pudesse viver o que
Outrora outros viviam,
Mas o que penso ser eu?
Sombra de outros que outros tempos
foram alguma coisa?
Não!
Sou algo ou alguém que está alem de uma
imagem refletida no espelho.
Morrendo aos poucos, mas ainda assim
preferindo apagar-se de uma vez.
Não tendo coragem para tal ato.
Quantos covardes iguais a mim estão por
aí a tentar suicídios toscos em arvores que,
não agüentam o próprio peso ou tentando
se matar cortando os pulsos com
barbeadores elétricos.
Minha covardia, não me deixar ser tão
tosco e ineficaz.
Meus olhos vêem o que dizem ser o céu,
mas ainda não posso admirar algo que
meus verdadeiros olhos não podem nem
ousam ver.
Os dias estão cada vez mais quentes e
dizem os pessimistas que o fim está
próximo.
Cara! Acho que o mundo já acabou e
ninguém percebeu!
Estamos em um inferninho!
E eu que penso ser o que não sou acabo
me descobrindo alguma coisa,
Alguma coisa que pensa que fala e que vê.
Aqui não tem mar para tentar olhar com
saudosismos e chorar lágrimas de
desabafos.
Prendo-me em blocos ou em quadras, ou
mesmo em morros azulados,
Matei todos os meus heróis e ao terceiro
dia nenhum deles ressuscitou
E não houve nenhum novo Cristo para
subir aos céus.
Céus?
Que céu? Deus e seu exercito de
marionetes devem estar mortos pelo gás
carbônico.

Fizemos nossa bomba de gás e matamos
o céu e todos que habitavam nele.
Hoje só há o nosso inferninho!
Cheio de corajosos, como todos que estão
por aí e também há um covarde, eu!
Ponho as mãos no bolso; olho mais uma
vez para o céu, tentando realmente ver e
sigo meu caminho, tirando pedras e
colocando asfalto em seu lugar, continuo
assim até um dia ter de parar para
verdadeiramente apagar-me de uma vez e
não mais aos poucos!

Diógenes Ramalhete, vulgo Diogo Ramalho
“Radical News”, março de 2007, p. 8.

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