Eu tinha-lhe feito um caderno colorido de 48 páginas. Depois de tantos anos, essa foi a forma que encontrei para declarar o meu amor. Ela leu, comoveu-se do jeito dela (mais tenro do que eu poderia esperar) e permaneceu um bom tempo em silêncio.
Então eu compreendi que eu havia saído de um platonismo inútil para uma vergonha também inútil. Eu nunca mais poderia acariciar seus cabelos sem que ela pensasse em segundas intenções por trás disso. Eu nunca mais poderia abraçá-la depois de um porre e dizer: "Te considero pra caralho" porque eu sei que ela seria a pessoa mais sem jeito do mundo neste momento. Quando eu decidi confessar tudo o que havia, de fato, escrito no meu coração, eu fiz uma escolha que só agora percebo: eu me privei do direito de contemplá-la em silêncio. Corri o risco, pensando com meus botões, que ela pudesse me dar um belo e elegante fora ou simplesmente dar uma chance a nós.
Pois eu poderia ter imaginado que, já que a criatura é extremamente diferente em níveis de comportamento e formas de pensar de toda a humanidade, ela poderia encontrar uma terceira opção e se agarrar a ela, firmemente: nunca mais tocar no assunto e pior... Fingir que absolutamente nada aconteceu.
Ela se foi pra sempre de mim... Porque ela sabe de tudo e eu sei que ela sabe. E disso, jamais poderemos tirar proveito. Ela disse um não da forma dela... E ela que nem saiba, mas foi o não mais triste e mais doloroso que alguém já pôde ouvir. Foi como um câncer que surge lentamente e quando se viu... Já é hora de dizer "é grave". Como há em Los Hermanos: "especialistas anunciam e sentenciam". Não há solução. Perceba. Erga a cabeça e agradeça por sua coragem.
Aprenda que isso foi para ti um fabuloso manual de "como não amar" onde a regra número 1 é: "quando o coração palpitar demais, não esconda teus sentimentos por muito tempo." Ou simplesmente pode se resumir à frase - pode ser tarde demais. É o contrário do que se quer vingar, pois é um prato que deve ser comido quente.
E eu já havia me acostumado a viver sem ela. Cortei contatos de todas as formas e nem fico espiando como vai sua vida virtual... Acontece que, pra minha desgraça, Freud tinha toda a razão. Sonhamos aquilo que todos os dias reprimimos.
Eu sonhei que nos encontrávamos em um lugar parecido com uma escola ou uma faculdade. Lá eu pensava que nós realmente não mantivemos contato por muito tempo e eu quase disse isso pra ela. A gente proseava sem graça... Sem jeito. Foi aí que fomos lavar as mãos em algum lugar e eu nem lembro o porquê. Ela veio súbita por trás de mim e nós nos beijamos.
E desde sempre é assim. Eu só a tenho nos meus sonhos.
Então eu compreendi que eu havia saído de um platonismo inútil para uma vergonha também inútil. Eu nunca mais poderia acariciar seus cabelos sem que ela pensasse em segundas intenções por trás disso. Eu nunca mais poderia abraçá-la depois de um porre e dizer: "Te considero pra caralho" porque eu sei que ela seria a pessoa mais sem jeito do mundo neste momento. Quando eu decidi confessar tudo o que havia, de fato, escrito no meu coração, eu fiz uma escolha que só agora percebo: eu me privei do direito de contemplá-la em silêncio. Corri o risco, pensando com meus botões, que ela pudesse me dar um belo e elegante fora ou simplesmente dar uma chance a nós.
Pois eu poderia ter imaginado que, já que a criatura é extremamente diferente em níveis de comportamento e formas de pensar de toda a humanidade, ela poderia encontrar uma terceira opção e se agarrar a ela, firmemente: nunca mais tocar no assunto e pior... Fingir que absolutamente nada aconteceu.
Ela se foi pra sempre de mim... Porque ela sabe de tudo e eu sei que ela sabe. E disso, jamais poderemos tirar proveito. Ela disse um não da forma dela... E ela que nem saiba, mas foi o não mais triste e mais doloroso que alguém já pôde ouvir. Foi como um câncer que surge lentamente e quando se viu... Já é hora de dizer "é grave". Como há em Los Hermanos: "especialistas anunciam e sentenciam". Não há solução. Perceba. Erga a cabeça e agradeça por sua coragem.
Aprenda que isso foi para ti um fabuloso manual de "como não amar" onde a regra número 1 é: "quando o coração palpitar demais, não esconda teus sentimentos por muito tempo." Ou simplesmente pode se resumir à frase - pode ser tarde demais. É o contrário do que se quer vingar, pois é um prato que deve ser comido quente.
E eu já havia me acostumado a viver sem ela. Cortei contatos de todas as formas e nem fico espiando como vai sua vida virtual... Acontece que, pra minha desgraça, Freud tinha toda a razão. Sonhamos aquilo que todos os dias reprimimos.
Eu sonhei que nos encontrávamos em um lugar parecido com uma escola ou uma faculdade. Lá eu pensava que nós realmente não mantivemos contato por muito tempo e eu quase disse isso pra ela. A gente proseava sem graça... Sem jeito. Foi aí que fomos lavar as mãos em algum lugar e eu nem lembro o porquê. Ela veio súbita por trás de mim e nós nos beijamos.
E desde sempre é assim. Eu só a tenho nos meus sonhos.
Suelih Martins
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on segunda-feira, 9 de junho de 2008
at 14:41
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