Meu lindo ônibus azul  

Postado por d.b em

Por ruas sinuosas
Ou por largas avenidas,
Sem dó,
Sem dor,
Sem piedade do operário apertado,
Com seu direito lesado.
Sem condição social de ir,
Como posso voltar?
Isolado em meu centro periférico,
Aos poucos as flores vão nascendo no chão de barro
E a massa supostamente ignorante vai atraindo os olhos
Dos ladrões culturais.
Eles são exóticos dizem uns,
Eles são excêntricos dizem outros.
Somos artistas
E seu ônibus caro me faz criativo,
Mas tenho e necessito do meu direito,
Não exijam somente meu dever.
Atenção:
Regra básica para ser verdadeiramente um cidadão:
Art. 9º do parágrafo não sei das quantas, do in-ciso que foi extraído
Ser beneficiado por todos seus direitos básicos,
Mas não sou... Não sou beneficiado,
Nem eu nem ninguém.
Não sou cidadão,
Não somos cidadãos,
Ninguém é cidadão.
Meus direitos são páginas chamuscadas
De um livro em ligeiro desuso
Ou usado de forma demagoga.
Meus sonhos e direitos morrem debaixo das rodas
De um lindo ônibus azul.


Diogo Ramalho é usuário do transporte coletivo urbano e recentemente se envolveu em uma briga com um vendedor de balas, cego, da casa de auxílio "Meninos de Deus"

Fonte: "Radical News", agosto de 2008, p. 5.

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1 comentários

Muito bom!!!

14 de agosto de 2008 às 11:01

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