Ninguém nunca poderá dizer que nunca fui a Santo Antônio do Descoberto
Eu sempre falei e repito que as coisas funcionam na base da sorte e que todas as nossas ações têm equilíbrio com a sorte que temos, pois se temos sorte em alguma coisa, temos azar em outra. Como no dia em que fui a Santo Antônio do Descoberto.
Nesse dia fui fazer uma prova, e nessa prova eu sabia que eu tinha me saído muito bem, e, por isso, achei que aquele dia guardava algo de especial para mim (eu tenho o costume de me sair bem em provas, mas achei que aquele dia era especial e me senti muito inspirado: aquele seria um grande dia). Mas eu estava tão distraído com a minha sorte que sequer notei que eu me situava em Taguatinga, uma cidade que eu não conheço muito bem. E então, quando fui pegar o ônibus na rodoviária para voltar para casa, eu nem atentei ao fato de que aquele ônibus não ia para a Rodoviária do PLANO PILOTO, e sim para a rodoviária de SANTO ANTÔNIO DO DESCOBERTO. A curto prazo, eu não me dei conta que o ônibus ia para a pequena cidade de Goiás que se situava perto do DF. O ônibus ia se aproximando da cidade e eu nem atentei porque achava que o caminho ermo que o ônibus pegou era outro caminho para chegar à cidade deslumbrante. Pois bem, segui no veículo de transporte público até quando notei que eu estava indo para um lugar no qual eu nunca pensei que iria colocar os pés. A cidade não era ruim e nem peguei raiva da cidadela, mas acontece que parei lá por um mero capricho da vida que equilibrou a cota de sorte do dia, pois a sorte dada a mim na prova foi descontada pelo fato de parar naquela cidade.
Foi nesse dia no qual eu aprendi que, os fatos da vida que não podem ser mudados, devemos nos conformar com eles, porque são meros equilíbrios: num dia em que temos sorte, no outro temos azar, como no princípio da ação e reação de Newton (a sorte e o azar seriam as ações e as reações). Nada fica pênsil para um lado e nem para o outro, por isso as coisas não são desvantajosas ou vantajosas para ninguém. Você erra e isso será descontado, você tem uma maré de sorte e logo depois isso acabará e você se achará azarado. As coisas procuram um equilíbrio, por motivos místicos, não-místicos ou psicológicos. O fato é que o equilíbrio se faz de uma forma ou de outra.
As coisas imutáveis (só se forem imutáveis, pois se for uma coisa que pode ser mudada ela não precisará de equilíbrio, tudo dependerá da pessoa e da sua força para a realização de tal ação) sempre têm o seu equilíbrio de ações. E por isso eu me conformo com essas pequenas coisas da vida, os pequenos fatos que nos pegam despercebidos e, por isso, morremos de raiva deles, eles são meros caprichos do destino, porque de todo modo, esses fatos iam acontecer e o que me aplaca é o fato de que todo o azar será convertido em sorte ou vice e versa.
Bai Lelé Vicente
Bai Lelé Vicente
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on segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
at 08:27
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