Sobre Viadinhos, Digo, Indivíduos de Identidade Sexual Transviada
Ou: o problema é que nós não temos problemas
Ou: a sabedoria de Harry Potter
Ou: Viadinho


Como diria um jovem rapaz de onze anos estudante de uma escola pública chamada escola de magia e bruxaria de hogwarts, personagem de um certo best seller cujo nome não vou citar par evitar constrangimentos, “o medo de um nome só aumenta o medo da coisa em si”. Pois este humilde servo que vos escreve crê, incondicionalmente, nessa máxima, apesar de a mesma ter sido proferida por um guri branquelo e matusquela, digo, um pré-adolescente de pigmentação e porte físico deficitários.
Nessa última semana, o meu saco tem sido impertinentemente enchido por uma série de seres humanos por conta de uma expressão infeliz exaustivamente repetida por mim em um artigo recentemente publicado no blogue dos radicais livres.
Elaboro aqui, portanto, uma defesa da minha atitude e um desabafo em relação a esta filosofia barata que vem me incomodando.
O maior mal dos nossos tempos, posso afirmar isso com convicção, não é a crise financeira internacional, nem o aquecimento global, nem nada terminada em al. É uma coisa terminada em ia: A hipocrisia. Sim, amigos. E digo mais: cabe ainda um adjetivo a essa palavra: Hipocrisia Social. Sim, meus caros. Ela é a causa de tantas polêmicas nesse mundo. Ela é que corrompe nossas ações. Ela é que atravanca nossas engrenagens, só ela, a hipocrisia. A coisa é tão grave que eu não poderia estar escrevendo isso agora se eu não fosse um pouco hipócrita também.
Estamos vivendo em um contexto social em que o subconsciente coletivo está tomando aversão aos preconceitos do passado, embora não tenhamos nos livrado deles como um todo. Mas, como ainda não somos suficiente maduros nesse campo de idéias, estamos gerando um comportamento distorcido que é o da pagação de pau incondicional aos grupos tradicionalmente excluídos (Excluídos do quê, exatamente? Cabe outra discussão aí). Chiquinho batera é que sabe disso muito bem. Pois bem. Voltando ao branquelo matusquela com uma cicatriz (digo...), esse fenômeno se desdobra em um outro tão perigoso quanto: A aversão incondicional à citação dessas idéias, como se fossem algum crime ou aberração, como se fosse um grande mal ser contra essas idéias, mesmo que despido das tendenciosas pré concepções e vestido com as roupas do bom senso e da justiça. Ou seja: toda vez que eu pronuncio a palavra “viadinho”, uma meia dúzia de abutres moralistas vem como donos da verdade para me condenar. Mas o que elas estão fazendo na verdade? Protegendo a integridade moral dos viadinhos? Não, deveras não. Estão apenas fugindo do problema, evitando-o, pondo uma pedra em cima dele, para não ter que olhar frente a frente para a insustentável verdade: a de que ainda somos um bando de preconceituosos, piores do que os de ontem, por nos escondermos por trás dessa máscara de plástico vagabundo de 1,99 chamada “atitude politicamente correta”. Certa vez eu estava no culto interminável, de uma certa igreja cujos pastores estavam constantemente na mídia, por conta de sua conduta infiel para com os fiéis, onde eu era arrastado por um certo atual diretor de cultura de São Sebastião, que não vou citar o nome pra evitar constrangimento e, despertando subitamente do meu sono geológico, consegui distinguir esse mesmo pastor proferindo as seguintes sábias palavras: “quando você coloca uma pedra em um problema, você não está resolvendo ele, porque quando você tira a pedra o problema continua lá”. Sim, eles são sábios, e se não fossem não teriam enganado aquela multidão de trouxas. Pois essa é a chamada atitude politicamente correta: botar uma pedra em cima dos viadinhos, dos pretos e das mulheres, fingir que eles não existem, tolerá-los, onde tolerar quer dizer deixar que aquela aberração co-exista conosco. Não diga essa palavra que é feio. Viadinho... Coisa horrorosa. Mais de minha experiência pessoal: isso é semelhante a uma situação acontecida comigo no colégio. Resumidamente, um amigo meu estava interessado por uma branquelinha (digo...) do segundo ano, que era pajeada por duas loirinhas avantajadas, e sobrou pra mim ser o proxeneta dessa situação. “Olá senhoritas, meu nome é devana e o meu amigo X cujo nome não pronunciarei pra evitar constrangimentos está muito interessado em comer uns churrasquinhos e dar uns beijinhos na sua amiga ‘morena’”. Bem, eu tinha que falar com as loirinhas primeiro pra chegar à “morena”. A loirinha 1 disse: “X não é aquele moleque baixinho e pretinho?” e a loirinha dois disse: “não seja descortês amiga... ele não é pretinho... é moreninho... tem a pele mais escurinha...”. Detalhe: meu companheiro era preto mais preto que o carvão e a noite profunda, negão mesmo, e baixinho é claro. E a loirinha dois disse com uma cerimônia e um constrangimento impagáveis. Eu não pude senão rir desbragadamente da situação até ser expulso da sala pela professora de biologia, pois quando eu terminei de rir o intervalo já tinha acabado há 15 minutos. Bem, o que quero dizer é que essa coisa toda do nome e da pejoração não passa de um subterfúgio sem classe para pessoas que, incapacitadas de lidar com seus próprios preconceitos, ou de se livrar deles, optam por simplesmente mascará-los. Recorremos ainda à Nite (que deus o tenha) e à Bíblia: nesta segunda, tem uma parada que diz que se o seu olho te faz pecar, você deve arrancar ele. Já Nite diz assim: se você tem que chegar ao ponto de arrancar o seu olho pra fugir do pecado, é porque verdadeiramente você não o venceu, é incapaz de evitá-lo e não é santo porra (digo, liquido seminal) nenhuma. Ou seja, é mais pecador que qualquer um, porque se tivesse o olho ia lá e pecava, né safado? O processo é exatamente o mesmo quando falamos do preconceito e da “Atitude Politicamente Correta”.
Mas então, devana babu, a solução é começar a esculhambar e falar dos viadinhos sem dó nem piedade? Claro que não. A solução é simplesmente aceitar a condição do outro e ajudá-lo a se aceitar, ao ponto de não ficar abalado ou ofendido com brincadeirinhas de mau gosto como as minhas. Porque, se toda vez que eu chamo um boiola de viadinho ele fica acuadinho e constrangido por isso, quer dizer que em algum ponto a sociedade ainda não aceitou isso completamente, em algum ponto ele ainda não se aceitou dentro dessa sociedade. Claro que estou tratando de uma sociedade ideal, mas ela pode ser trabalhada a partir de agora, e não vai ser com a nossa hipocrisia ridícula que vamos fazer isso. Então temos que repensar cuidadosamente nossa atitude a partir de agora, e com certeza não é de nenhum dos jeitos que temos tentado.
Vamos colocar uma situação aqui: dois caras, um flamenguista e um tricolor. O tricolor xinga o flamenguista: “seu urubu”. O flamenguista vai deixar de ser flamenguista por causa disso? Não. Note que a palavra urubu é usada como uma ofensa pelo fluminense, mas não é tomada dessa forma pelo flamenguista, pois os flamenguistas são metidos a besta e cheios de si, portanto convictos e orgulhosos de seus signos, que nada mais são do que características, úteis para que uns se orgulhem e outros zoem. Como quando o flamenguista chama o tricolor de “pó-de-arroz!”. Mais ainda: “seu comunista!” Grita o PMDBista. “Seu tucano!” Grita o petista. A mesma coisa. Um odeia o outro, um condena as características do outro, um acha que o seu modo é melhor do que o do outro, mas ambos se respeitam, afinal nós temos uma democracia nessa budega, e até boazinha comparativamente falando. Mas um não finge que o outro tá certo, isso é que não. Imagine o tucano: Não... Que é isso... Ele não é comunista... É apenas um agente político de visão um pouco mais libertária... É o caramba! Ele é um comunista arruaceiro e subversivo! É assim que é. Por isso é que digo (ou assumo) que somos hipócritas, porque nossas atitudes e idéias não servem para todas as situações, o que as desmoraliza. E o que mais se vê por aqui é isso. E não venham me dizer que é incoerente defender a diversidade e usar termos pejorativos, pois é justamente o contrário: louvar a diversidade é aceitar que a maioria dos gays são um bando de viadinhos e que tem muito neguin preto por aí, e não ter medo de dizer isso, por que cada um está correto dentro da sua idiossincrasia, e cada um é correto dentro dos seus próprios erros.

Por ora é isso, bandibicha, digo, grande grupo de pessoas sexualmente afetadas pelas quais tenho grande estima e consideração apesar de ser um bandibicha.

Bai d.b.





Nota: o programa word, onde escrevi este monte de entulho lingüístico, não aceita que a palavra “Porra” seja adicionada ao seu dicionário personalizado, e portanto ela permanece vermelha no texto.

CONTRAPONTO

Brasília, 14 de abril de 2009.

Bom dia Daniel,

Pelo pouco que ouvi de vc por aí, me bastou para saber que teria uma abertura legal para dialogar no campo das idéias com você e com seu grupo.

Poderia ter iniciado este e-mail com o tom desrespeitoso, o mesmo que impetrou em sou "defesa" do sexismo, ora, pensava que vc era um cara ligado a defesa de um mundo melhor, sem classismos, principalmente e sem preconceitos, mas que decepção, mas a vida é assim mesmo.

Imagina se o chamasse de heterozinho do gênero MACHO, portanto no imaginário de muitas pessoas (a que de ser deixar nítido Heterozinho e MACHO no sentido negativo não seria exatamente VC) truculento, violento, que se assemelha aos jovens babacas que agridem os/as outros/as para “brincar” de assustar outras pessoas no meio das ruas com extintores ou mesmo jogando um foguinho em indígenas, estes que as pessoas que são contra “Hipocrisia” dizem ser sem alma e vivem atrás de $, enfim, vc e qualquer pessoa tem o DIREITO, afinal, são portadoras de direitos já dizia Chauí, de dizerem o que bem pensarem, mas também tem o DEVER, afinal, são também portadoras de DEVERES de sim não infringir a dignidade alheia.

Se obervar a etimologia das piadas, estas nascem e se perpetuam em sua quase que total maioria, verão que elas começam com um preconceito de gênero, afinal “Viadinhos” são no imaginário de muitas pessoas homens que querem ser ou se assemelham as mulheres, portanto, como as mulheres historicamente segundo uma visão patriarcal e machista são inferiores aos homens, então, todo e qualquer “H”omem que distoa desta norma é tido como doente, esta doença de parecer mulher.

Seja um pensador, apesar da maioria, sobretudo os/as que são filósofos/as serem sexistas e retrógrados, nem por isso vamos eliminá-los/as.

A porrada cotidiana que sofrem SIM pessoas que SIM são vítimas de animais é que dói meu caro. Mas engraçado, penso que nunca deve ter sofrido isso né, pois você como Homem e gênero “dominante” da história não poderia jamais demonstrar afetividade por outro igual, imagine se fosse sexual? Será que sofreria com as piadinhas de seus/suas amigos/as: olha lá, ele agora é V – I – A – D – I – N – H – O.

Isto me faz lembrar a infância, onde meu velho pai tentava “educar” meu irmão mais novo com ordens do tipo: Homem não chora. Vai brincar com sua irmã? cuidado para não virar mulherzinha. Tá chorando novamente seu viadinho.

Em minha mensagem Daniel, não quis em nenhum momento subverter uma ordem e incentivá-lo (apesar de ser educadora e defensora de direitos humanos) a bater papo com a sua base no sentido de subverter uma ordem posta, onde desta vez quem seriam caçados seriam os homens, brancos, heterossexuais, classe média e alta, universitários, artistas, em suma, a pirâmide social atual.

Não sei pq sentiu-se tão ofendido, ou melhor, incomodado com um diálogo sem amarras, sem dedos na cara e melhor, sem socos ou pontapés, que é isso que a juventude vem sofrendo meu caro, se atenha a isso, saia um pouco das idéias academicistas e vá paras as ruas ver a cor que ela é e o sangue que escorre dela. Vc de alguma forma fazendo movimento de juventude minimamente deveria saber disso, mas, a Hipocrisia como abreviou, sempre é (In?)Correta, entandam quem se especializou nas entrelinhas.

De todo modo, como abriu este, encaminharei de meu e-mail particular (daysehansa@gmail.com) para outras redes locais para que possamos ampliar o debate, já que este é institucional e tratei no início da mensagem do último dia 11/04 de questões profissionais, mas enfim....

Se utilizássemos os times de futebol, os partidos políticos, as religiões, os pensamentos ideológicos para cultivarmos a igualdade nas diferenças que mundo melhor teríamos.
Mais calma aí colega, hipocrisia é não tomar para nossas vidas o que dizemos por aí, pois eu podia muito bem ter apontado aqui questões que vão de encontro as suas palavras, reflita, muita gente conhece muita gente, vc vai entender....

Seja Radical, vá até a raiz das coisas, quem sabe aí vc tenha a liberdade que tanto carrega em seu discurso.

Fique bem!

Um belo dia, ou como melhor preferir...

Cordialmente,

Dayse Hansa* - A politicamente correta e chata, mas que não quer subverter uma ordem de dominação e sim trabalhar por um mundo onde possamos ter equidade.

NOTA DO CO-EDITOR

Prezada Dayse,

Os artigos publicados em nosso blog são inteira e exclusiva responsabilidade de seus autores, e não refletem necessariamente a opinião do coletivo. No entanto, mais do que a liberdade de expressão, a nossa tônica é a da expressão da liberdade, inclusive a de problematizar, de maneira franca e respeitosa, os dogmas do movimento de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transgêneros (GLBTT). A irreverência de teor iconoclasta sempre foi o signo distintivo dos Radicais Livres, que desconstroem tanto os tabus de direita quanto os de esquerda ("esquerdistas"). Somos democráticos não só em aceitar e tolerar as diferenças, mas também, como Voltaire, defender até a morte o direito das pessoas dizerem o que pensam, a despeito de nossa concordância.
A propósito, por que determinadas ideias seriam imunes à crítica? Simplesmente por alguém se intitular militante dos direitos homossexuais (homoafetivos ou homoeróticos)? Que recurso discursivo é esse, o de taxar toda e qualquer polêmica que ponha à prova seus postulados de "machista", "sexista", "classista"? O que interdita o debate é justamente o uso indiscriminado dos chavões e lugares-comuns.
Ademais, essa semântica do politicamente correto virou uma "patrulha ideológica" de novo tipo. O tom bronco, ressentido e virulento, em vez de angariar simpatia para a causa, tem o efeito inverso, o de afastar potenciais aliados e reforçar o estigma vigente.
Reconhecemos que é necessário repensar o vocabulário e combatermos a nomenclatura que historicamente ridiculariza, humilha, degrada e inferioriza certos segmentos sociais. Santa Semiótica, rogai por nós!
Lapidar é a lição de Jurandir Freire Costa. Em entrevista a Maria Rita Kehl (Teoria e Debate, nº 18 - maio/junho/julho de 1992), o psicanalista nos ensinou que não se pode tentar eliminar o preconceito usando um termo viciado. Quando mudamos os conceitos, alteramos os problemas e as interpretações que damos a certos fatos. No entanto, a simples mudança de vocabulário estaria fadada ao fracasso sem a correspondente prática. E os Radicais Livres, em matéria de práxis, estão, modéstia à parte, na vanguarda.
Devemos, parafraseando o entrevistado, fomentar uma educação cujo credo fundamental seja a noção de que as pessoas têm o direito de procurar toda e qualquer forma de felicidade individual, desde que isso não implique atentado à integridade física e moral do outro. E esse respeito à alteridade é, sem dúvida, um das práticas que sobressaem em nosso grupo.
Mais do que escrever, portanto, é preciso testemunhar o outro mundo possível que, além de anunciar, os Radicais Livres vivenciam em São Sebastião, sobretudo no sarau, momento místico de nossa militância cultural.
Esperamos que, um dia, você possa atender ao nosso chamado.

Cordialmente,

Daniel

TRÉPLICA BABUÍNICA

Daniel, como sempre, é um poço de sensatez e sabedoria.

nós dos radicais livres, vamos na contra mão de tudo o que se praticou até hoje:

embora pareçamos reacionários no nosso discurso falado e escrito, para os mais desavisados é lógico, nossas ações nos defendem e mostram exatamente o contrário. somos um grupo que tem gente da destra e gente da canhota, urubus e pós de arroz, religião nem se fala... e já que estamos falando de homossexualidade, não há ninguém tão sensato quanto nós.

não somos tolerantes, não somos defensores, não somos intolerantes, nem homofóbicos, nenhum destes estereótipos: tratamos as pessoas diferentes de nós, quais sejam todas, com seres humanos que, únicamente por causa dessa condição, se tornam dignos de nosso respeito e deferência, e se tornam parte do nosso mundo pelo que são como artistas, como amigos, como inimigos, como gente. esse é o diferencial. nunca excluímos ninguem por causa de preconceito. tem dezenas de gays que fazem parte do nosso convívio, uns assumidos, outros enrustidos. mas por acaso isso faz alguma diferença pra nós? nenhuma. ao encontro disso vem o testemunho de nossa amiga sueli. ela não sai por aí dizendo aos quatro cantos que gosta de mulheres, nem tampouco negando, e como radical, ela é sim zoada por nós. eu sou zoado,por uma série de características minhas, assim é com todos os demais. assim é que é.

e dayse, creio que não tenha compreendido bem o teor do meu argumento, e como diz o daniel, apelou só um pouquiiinho no jargão-lugar-comum politicamente correto, e isso não a torna chata em absoluto.

espero também que nossa deliciosa discussão não estaja se infiltrando no campo pessoal nem profissional, ou caso contrário é melhor pararmos por aqui.

sem mais, d.b.


MAIS PATRULHA

Meu Deus!!!! Daniel, que texto confuso, hein? E ainda, querendo dizer que os homosexuais, os negros, as mulheres tem que aceitar serem ridicularizados por expressões pejorativas em nome da sua "liberdade de expressão"? Você quer ter o direito de chamar os outros de baixinho, branquelo, viadinho, neguinho, boiola, pretinho cor-de-carvão e não ser retrucado..., o que é isso, companheiro?!
George Lacerda – músico

EPPUR SI MUOVE

George, o texto não é confuso. É límpido, cristalino e claro, como todo o libelo deve ser. A sua ilação é que é precipitada e capciosa. Leitura apressada. Você não cita especificamente os argumentos que balizam a conclusão de que "os homosexuais, os negros, as mulheres tem que aceitar serem ridicularizados por expressões pejorativas". A afirmação é sua. Não há nada nas premissas que autorize essa conclusão. Quem está "querendo dizer" isso é você. Companheiro, se assim for, condenemos toda literatura marginal à fogueira, a la III Reich. Imagino as vestais e os paladinos dessa moral queimando as obras de Plínio Marcos, entre outros "malditos"... Diga-se de passagem, você acabou reproduzindo um termo valorativamente carregado de preconceito - homossexual. No léxico puritano, é preferível usar "homoafetivo" ou "homoerótico". Viu como ninguém está impune do Tribunal Neomacarthista da Santa Inquisição da Novilíngua Politicamente Correta? Tempos histéricos, paranóicos e sombrios...
Daniel - Apedeuta

PAUTA PROPOSITIVA

Brasília, 15 de abril de 2009.

A Moral e a Ética

Moral baseada no conhecimento e crença adquirido e perpassado por grupos.

Ética e Moral

Fundamentalmente quando falamos de ética e moral nos referimos a princípios, valores, comportamentos ou atitudes, nos referimos ao bom/mau, bem/mal, correto/incorreto, certo/errado.
A Moral trata de fiscalizar toda e qualquer mudança de caminho, de rumo das normas estabelecidas, estas que quando nascemos já estavam mais que sedimentadas.
Já a Ética procura de forma diferente da Moral procura estabelecer uma reflexão sobre o agir humano que ultrapassa o simples cumprimento do que está escrito. A Ética vai além em seus princípios pois promove discussão e a partir desta obtém-se ações de promoção da equidade social, justiça em nome e para tod@s, enfrentamento da pobreza e miséria, enfrentamento da degradação ambiental, enfrentamento a todo e qualquer ato que cace ou reduza direitos civis e humanos, enfrentamento a corrupção etc.
Do ponto de vista da Ética, seu termo é sim ofensivo. Não às pessoas que tem sua auto-estima trabalhada, mas para um jovem de 15 anos ela foi determinante se pensarmos na moral de vida que seu pai e sua mãe se ativeram quando o tiraram de casa após o mesmo ter soltado os grilhões da mentira, se livrar da asfixia que é esconder seu afeto, a conclusão foi que ele/a o expulsaram de casa após ter assumido sua homossexualidade, sem ter para onde ir, ficou morando por cerca de 02 (dois) meses no espaço onde trabalho, pois não tinha onde ir, depois nossa assistente social na época, Zora Yonara conseguiu dialogar com a mãe e uma das tias e a situação foi amenizada e ele voltou para casa. Mas foi necessário uma desconstrução de normas para elas, o que também foi um processo bastante desgastante.
Precisamos Daniel pensar em que nossos atos, até mesmo como militantes em alguns momentos não atrasem uma luta que está posta para essa tal desconstrução. Um exemplo do grupo que venho acompanhando onde fazemos a discussão sobre a violência doméstica, em nossos primeiros textos tínhamos signos que estavam carregados de normas pré-estabelecidas, “natural”, já que vínhamos de um mundo muito carregado de opressões. Fizemos as devidas alterações depois de muito dialogar com o grupo e de mulheres que compõem o movimento feminista, negro e LGBT. Mas não trocamos os termos para sermos “politicamente corretas”, fizemos uma análise profunda daqueles questionamentos construtivos.
Quando lhe escrevi para saber de questões profissionais, aliás, que até o presente momento não obtive sequer meia resposta, peguei uma carona para sugerir que batesse papo com o seu grupo, portanto, não emburrar-lhe goela à baixo o que deveria ou não fazer. No movimento de juventude e vc deve saber isso é meio complicado esta lógica paternalista que advêm principalmente de uma opressão ou um “dá licença” geracional.
Acredito na importância das organizações do terceiro setor, apesar de como militante e estudante de serviço social eu ser crítica ao “onguismo”.
Senti que a sua resposta poderia (mais isso é o que penso) ter sido mais amena, pois de alguma forma somamos em outro campos esforços, portanto, incoerente você responder com UM MANIFESTO, mais mesmo pensando incoerente o tom das palavras e conceito, respeito seu ideal, mas interessa-me em discuti-lo com ações propositivas em não apenas ideológicas e filosóficas.
É necessário uma onda de solidariedade entre movimentos, organizações e pessoas. Quando fizemos as vivencias do projeto da Lei Maria da Penha verdadeiramente absorvemos a discussão e as críticas que vieram e mudamos certos conceitos pessoais e posterior profissionais em nome de um TODO.
O mérito cultural do trabalho de você é reconhecido, eu infelizmente só ouvi falar, principalmente por um colega de Conselho Nacional de Juventude – CONJUVE, mas politicamente posso aferir crítica a mensagem que vem passando, em especial em um esquete/espetáculo no qual faz traduções de um comportamento de um homossexual carregado de piadas sim que reforçam um histórico patriarcal e machista. Você fizeram ano passado tal apresentação em uma Estatal sediada em Brasília, segundo algumas pessoas do público, no universo de 100 cerca de 03 apenas se manifestaram sobre o teor do texto enquanto as outras se rolavam no chão de risadas dos trejeitos de VIADINHOS frescos os quais vocês transmitiam, reflexão após? Não, nem um bate papo, e é nisso em que venho dialogar com vocês, mesmo vocês sendo adébito ao vanguardismo, é importante para que seja coerente com o Novo, o Inusitado, vocês terem um carinho para não desconstruir ações que com muita dificuldade vem sendo realizadas há tempos. Ainda sobre a tal Estatal, meses após vocês terem realizado a apresentação de vocês fomos convidadas a fazer uma ação lá no Programa de Equidade de Gênero que a estatal adota à a partir do selo adquirido pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Foram 04 (quatro) dias de ações e de manifestações (in) esperadas dês algumas pessoas quando nosso texto além de falar das mulheres no mercado de trabalho tocava na especificidade das mulheres que gostavam de outras mulheres afetivo e sexualmente. O que quero com esta exemplificação é que possamos pensar em conjunto o seguinte, será, que se vc’s tivessem feito um diálogo meses atrás após somente expor o engraçado dos estereótipos sem dá um contraponto o terreno não tivesse mais preparado?
Sobre o chamado dos Radicais Livres S/A, nunca o recebi mesmo, por isso não tive como atender de pronto, mas fiz o inverso, fui atrás sem convite, coisa de gente enxerida.
De toda forma, deixo aqui registrado abertura para dialogar com o grupo na sede de vocês ou em qualquer lugar que possa somar no sentido da desconstrução.
Não é possível falar de protagonismo juvenil não mencionado TODAS as especificidades as quais TODO/A e qualquer jovem tem o direitos de vivenciar.
Não cale a boca, mas com a boca não reforce o sistema normativo, seja vanguarda de fato.
Com palavrões, ou Frida Kahlo, ou com Simone de Beauvoir, ou Nelson Rodrigues, com Plinio Marcos, ou com Beauvoir, com Judith Butler, Camille Paglia, Rose Marie Muraro, Denise Stoklos...
...
Fique bem!
Saudações Coloridas, Libertárias e Solidárias,
Dayse Hansa

REFORÇO

Querida Dayse e demais pessoas,

Começo este e-mail dizendo que: as palavras tem força.
Pensar em questões políticas é pensar nesta força e poder transformador de vida e/ou morte, compreendendo e percebendo que uma palavra constroí identidades.
Quando descrevo alguem estou nomeando suas caracteristicas, e sendo assim construindo uma idetidade para aquelea pessoa segundo o meu olhar.
Então se digo: "zora é feia", estou de certa forma construindo por meio das palavras uma identidade segundo minha visão, enfeiando zora posso estar sendo violenta e cruel, então é preciso pensar nas palavras.
Por esta razão, as palavras exercem um papel em nossas vidas. As palavras escritas ou faladas precisam sim estar num contexto político correto, é assim que podemos mudar alguma coisa, principalmente porque seu poder faz a diferença. Um exemplo é quando ouvimos os gays e as lésbicas são doentes, esta frase reproduz uma ideologia conservadora e reforça a homofobia.
Por isso é importante que se pense sobre o sentido das palavras e mais que isso não se reproduza acriticamente certos jargões intensificando os esteoritipos.
Podemos transformar por meio da palavra escrita e falada, então façamos, para que a violência contra os LGBTT diminua consideralvelmente, e temos que começar por nós.
Parabens pela sua lucidez Dayse.
Uma otimo dia para cada uma de vcs.
Beijos
Zora Yonara

L'ENFANTE TERRIBLE RIDES AGAIN, AND AGAIN AND AGAIN...

queridas Dayse e Zora:

compreendo o ponto de vista de vocês, que é válido, mas vamos entender uma coisa:

eu sou um indivíduo preto. preto cor de carvão, tição, neguinho, essas coisas (pejorativas? tão pejorativas quanto branquelo?).

pois é, preto. não é uma coisa de que eu me orgulhe muito, nem tampouco uma coisa da qual eu tenha vergonha. é simplesmente uma característica genética aleatória fruto da união de alelos legados por meus pais e parentes. e quer saber? eu não ligo. eu não fico pensando " ah que legal meu bronzeado maneiro minha pele de jambo minha resistência bla bla bla" e nem tampouco " ai que cor feia a minha que cabelo feio o meu que nariz feio que eu tenho". não gosto nem desgosto nem aceito. agora uma coisa que eu odeio é quando alguém me trata como um doente por causa disso, ou como uma pessoa especial. eu não sou especial, e se sou, não e por causa disso. e odeio mais ainda quando alguém se sente constrangido de me chamar de negro, ou ainda, quando alguém tem vergonha de me chamar de neguinho ou tição. sabe porque? porque ninguém tem vergonha de chamar um branquinho de branquelo, um cara alto de vara pau, um cara fortão de bombado. porque isso? porque os primeiros nomes são ofensas e os segundos elogios? note que a ironia é a mesma, o sarcasmo é o mesmo, a pejoração é a mesma. a diferença está justamente em quem recebe esses nomes e em quem observa. o preconceito está nessas pessoas. então o que temos que trabalhar, tanto no observador, quanto no suposto ofendido, quanto no suposto ofensor é: vc é um viadinho. e daí? isso não o torna melhor ou pior que ninguém, seja feliz do seu jeito... seja feliz e viadinho... seja feliz e pretinho... seja feliz e branquelo... seja feliz e bombado... seja você mesmo. a exemplo do que diz o Jurandir, tão citado por Daniel. voltamos aqui às sabias palavras de Alvo Dumbledore (alguém vai me zoar por isso?) e fazemos um link com o poder das palavras: o medo de um nome só aumenta o medo da coisa. e mais: nós é que fazemos a palavra ser tão paia e ofensiva.

penso eu, e estou passível de dizer besteira, que todas as características do mundo tem duas faces, dois pólos (já vimos isso em algum lugar?), que são um lado bom e um ruim, um lado sério e respeitável e um lado engraçado e zoável. não há como fugir dessa lei dado que ela é imperativa sobre todos os aspectos do cosmos, já que ela é uma das coisa mais naturais da humanidade. não inventaram essa ainda que não está passível de chacota. talvez isso não fosse tão verdadeiro se não fôssemos todos um bando de brasileiros ( não é necessário dizer que com muito orgulho). como foi capaz de apreciar o meu amigo roberto gomes, em Crítica da Razão Tupiniquim, e não só ele, a piada e o humor são coisas muito típicas do comportamento brasileiro. temos isso no nosso sangue, temos essa verve entranhada no nosso espírito, e essa mesma verve é plenamente encarnada por aquilo que vulgarmente chamamos de "Radicais Livres Sociedade Anônima".

seguindo o raciocínio, tenho para mim que todas as coisas não passam de brincadeiras. besta é quem leva tudo a sério, besta é quem não consegue enxergar a grande besteira das coisas. isso de levar tudo a sério me parece demasiado europeu, povo cujo clima frio visivelmente desfavoreceu suas faculdades mentais, mas não o suficiente para que eles tivessem um pensamento sistemático e sólido a despeito de nós (será que algum gringo vai se dar ao trabalho de me chamar de xenofóbico?). se há realmente uma razão para que nós humanos estejamos aqui nesse mundo (só os humanos tá, os animais vieram por acaso, sem propósito nenhum), dizia eu, se há esse propósito, ele é o de nos divertir. que sentido tem a vida se não nos divertimos? que sentido tem a luta? o discurso? a igualdade? é tudo diversão, se alguém não está se divertindo com tudo isso, é melhor parar. voltando aos genes: todas as características da humanidade, chamadas genótipos, tem, sim um lado engraçado. zoável, entendem? a negritude, tem um lado engraçado, os beiços exagerados, o nariz abatatado (vide Máximo Mansur) , que não são coisas feias, nem defeitos, mas que rendem uma excelente caricatura. assim como aquele nariz enorme e tucanáceo dos caucasianos (vide Vinícius Borba), engraçadíssimo, chacotábilissimo, e nem por isso feio ou humilhante (não apela não vinni). essa regra também se aplica às outras características de um ser humano, que podem ser genotípicas, as que a gente nasce com elas, as que a gente escolhe, como o time de futebol, e aquelas que a gente aceita, como o homoafetivismo. mas nenhuma delas está livre do impetuoso humor brasileiro. ele é que nos garante a supremacia de rir de nós mesmos, uma das atitudes mais nobres que um povo pode ter.

é assim que tenho pensado minhas ações desde muito tempo, baseado no humor e na diversão, claro, preservando a integridade moral e física do outro. mas eis aí uma coisa muito delicada e subjetiva: porque quando eu chamo Diego Suricate de viadinho, apesar de ele não o ser, ele não se sente ofendido, até porque ele mesmo já me chamou disso inúmeras vezes sem me ofender, e ja chamou inúmeras pessoas, e essas inúmeras pessoas assim o chamaram assim e também a outras inumeras pessoas, mas todas essas pessoas dotadas de uma compreensão de mundo muito avançada e de uma maturidade ética muito vanguardista, verdadeiramente vanguardista, como diz Dayse. deveras, não tinha a menor intenção de ofender ninguém que não estivesse preparado para isso, e nesse aspecto peço desculpas sinceramente a qualquer um que tenha se sentido atingido, e tentarei ser mais cuidadoso nesse aspecto, apesar de pensar como penso.

com amor e carinho,
d.b., o neguinho.

"O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você." (Autoria desconhecida)

"borboletas sempre voltam e o seu jardim sou eu!" (Autoria Sertaneja desimportante - digo, de tendência musical pop-agreste a qual não dou importância)


STRIKES BACK

Devana,
Pensar faz parte, pensar é o melhor veiculo para compreendermos a vida, a nossa vida, a vida de outros/as, eu enquanto filosofa só posso refletir criticamente diante das palavras escritas e sentidas, e imaginar o inimaginável.
Porque mesmo sendo contrários nossos pensamentos existem e isso é essencial para construi qualquer história, seja uma história critica ou alienada, o mais precioso de tudo isso Devana, é que as histórias resistem por meio das palavras, assim nasce o PODER , o poder de construir ou destruir, e a alegria pode nascer deste dois polos, depende da visão de mundo de cada um.
Atenciosamente,
Zora

-- Zora Yonara
Assistente Social
Especialista em Filosofia
"O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você." (Autoria desconhecida)

This entry was posted on terça-feira, 14 de abril de 2009 at 02:13 and is filed under , . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

3 comentários

Ora, ora, ora.
Dayse, essa pergunta é pra você:

VOCÊ CONHECE O DIEGO, aquele que foi "supostamente" ofendido no texto?

E Diego, essa pergunta é pra você:

Você tá preocupado ou se sentindo ofendido?

14 de abril de 2009 às 16:00

olha só,
eu acho que a coisa começou a se complicar quando o vinicius borba entou no debate e daniel replicou. o comentário da dayse não foi em tom de crítica, tanto que ela mesma disse tratar-se de uma contribuição construtiva tendo em vista a nossa postura, digamos, libertária em relação a sexismos. Ocorre que quando borba comentou qualquer coisa e dabiel refutou de alguma forma devana babu inflamou-se e, polêmico por natureza, não sei puxando a quem, aproveitou-se pra deitar verborragia pra todo lado. Ou seja, devana não passa de um aproveitador de comentários alheios pra aumentar o contador do blog. perceberam como ele se ressente da falta de comentários no último post? pau na moleira do babu. bjs

14 de abril de 2009 às 19:56

não há polêmica nesse mundo que não seja justa e útil desde que seja empenhada por pessoas inteligentes e de bom senso, e pelo que tenho visto, o nível da discussão está bem equilibrado.
A Dayse usou uma série de argumentos que considero muito válidos, embora em muitos pontos ela pareça não compreender o real sentido de nossas palavras e atitudes, e em muitos outros eu não concorde. mas me levou a repensar com certeza. a comentário dela no começo realmente não foi em tom de crítica, o de vinni sim foi bastante ofensivo (manda ver)o do danni como sempre foi apasiguador apesar de impiedoso, e o meu foi apenas a minha opinião sobre o assunto, demasiado sincera, é verdade.

ademais, eu quero é ver o pau quebrando. (a quem será que eu puxei?)

15 de abril de 2009 às 10:37

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