Mangueira se apresentou como poeta
convidado no Sarauradical de março,
encantando o público radicalista
por Vinícius Borba,
em nome de todos os Radicais
Um AVC nada poético tirou o ator e diretor Mangueira Diniz de cena. Foi ele que, recentemente, no sarau de sexta-feira, 13 de março, homenageou as mulheres com lindos poemas como “Chicá” e nos horrorizou com suas interpretações poéticas pela mística sexta. Nordestino cabuloso, radicou-se em Ceilândia, onde viveu até então. Formado em direção teatral pela Faculdade Dulcina de Moraes, sua história se confunde com a cena cultural de Brasília.
A primeira vez que os radicais tentaram se apresentar fora da quebrada rolou mais ou menos em 2003, após assistir espetáculos na Oficina do Perdiz. Lá se foram Júlio César, Paulinho Dagomé, Máximo Mansur e cia tentar apresentar o SarauRadical em terras estrangeiras da Asa Norte. Ao que me parece, a tentativa foi frustrada e diante do insucesso de público - e do despreparo dos incipientes radicalistas - o velho Perdiz ficou puto e tudo deu com os burros n’água. Diferente fez Mangueira, naquele mesmo teatro, nos idos de 1988. Diretor de teatro e ator que acabara de montar um Becket de respeito, o texto Esperando Godot, viu, magoado os teatros convencionais lhe recusarem os palcos por tempo justo. Pediu emprestado, é claro, o lugar em que consertavam-se carros e máquinas durante o dia e preparavam-se os atores à noite. Esperando Godot inaugurava o teatro Oficina do Perdiz, em 10 de fevereiro de 1989. Quarenta pessoas na platéia e arquibancadas de tábua de madeira patrocinadas e canos de ferro reciclados by José. Teve de tudo: o ator que interpretava o escravo, num ataque de estrelismo, se aborreceu e saiu do elenco. Foi substituído por Adriana Nunes, talento que até hoje brilha no circuito teatral local. Foram 12 fins de semana de ''casa lotada'', e Esperando Godot abriu caminho para performances de dança e apresentações de ''rock pauleira'' que levavam Perdiz à delegacia. A imprensa acudia.
Em 1991, Mangueira Diniz volta à cena com ''Bella, Ciao'', de Luís Alberto de Abreu, um sucesso que ficou em cartaz mais de um ano e obrigou a oficina a se abrir de Quinta a Segunda, com direito a sessões duplas, aos sábados, e uma extraordinária, em 1992, à uma hora da manhã, para o elenco de Ricardo III, peça que se apresentava no Teatro Nacional. Eram nomes de peso - Stênio Garcia, Lucinha Lins, Cláudio Tovar, Denise Milfond e Françoise Fourton - e a eles não se negava pedidos.
Mangueira foi um espetacular diretor. Mas “mió” mesmo (e sei que sou suspeito pela amizade) eram suas constantes homenagens a seu primo, Pompílio, que volta e meia ele declamava. Dramatizava como ninguém, veemente, Paraibano, convicto. Como bom nordestino, um forte!
Aquele Diniz nos deixará saudade. No último sarau da Tribo ainda o vi. Boêmio de marca maior, amante da vida, dos bons botecos de esquina, bom de copo. Aquele “cumpade” que conheci no açougue cultural T-Bone, quando de uma intervenção radicalista por aquelas bandas, já está fazendo falta.
Na tarde de sábado(23), sentiu-se mal. Sua companheira o levou ao hospital. Deixa três filhos.
Morreu de um acidente vascular cerebral (AVC). Ou melhor, sua doença foi a poesia crônica.
Morreu de emoção, overdose de arte na veia. Nosso eterno salve.
A primeira vez que os radicais tentaram se apresentar fora da quebrada rolou mais ou menos em 2003, após assistir espetáculos na Oficina do Perdiz. Lá se foram Júlio César, Paulinho Dagomé, Máximo Mansur e cia tentar apresentar o SarauRadical em terras estrangeiras da Asa Norte. Ao que me parece, a tentativa foi frustrada e diante do insucesso de público - e do despreparo dos incipientes radicalistas - o velho Perdiz ficou puto e tudo deu com os burros n’água. Diferente fez Mangueira, naquele mesmo teatro, nos idos de 1988. Diretor de teatro e ator que acabara de montar um Becket de respeito, o texto Esperando Godot, viu, magoado os teatros convencionais lhe recusarem os palcos por tempo justo. Pediu emprestado, é claro, o lugar em que consertavam-se carros e máquinas durante o dia e preparavam-se os atores à noite. Esperando Godot inaugurava o teatro Oficina do Perdiz, em 10 de fevereiro de 1989. Quarenta pessoas na platéia e arquibancadas de tábua de madeira patrocinadas e canos de ferro reciclados by José. Teve de tudo: o ator que interpretava o escravo, num ataque de estrelismo, se aborreceu e saiu do elenco. Foi substituído por Adriana Nunes, talento que até hoje brilha no circuito teatral local. Foram 12 fins de semana de ''casa lotada'', e Esperando Godot abriu caminho para performances de dança e apresentações de ''rock pauleira'' que levavam Perdiz à delegacia. A imprensa acudia.
Em 1991, Mangueira Diniz volta à cena com ''Bella, Ciao'', de Luís Alberto de Abreu, um sucesso que ficou em cartaz mais de um ano e obrigou a oficina a se abrir de Quinta a Segunda, com direito a sessões duplas, aos sábados, e uma extraordinária, em 1992, à uma hora da manhã, para o elenco de Ricardo III, peça que se apresentava no Teatro Nacional. Eram nomes de peso - Stênio Garcia, Lucinha Lins, Cláudio Tovar, Denise Milfond e Françoise Fourton - e a eles não se negava pedidos.
Mangueira foi um espetacular diretor. Mas “mió” mesmo (e sei que sou suspeito pela amizade) eram suas constantes homenagens a seu primo, Pompílio, que volta e meia ele declamava. Dramatizava como ninguém, veemente, Paraibano, convicto. Como bom nordestino, um forte!
Aquele Diniz nos deixará saudade. No último sarau da Tribo ainda o vi. Boêmio de marca maior, amante da vida, dos bons botecos de esquina, bom de copo. Aquele “cumpade” que conheci no açougue cultural T-Bone, quando de uma intervenção radicalista por aquelas bandas, já está fazendo falta.
Na tarde de sábado(23), sentiu-se mal. Sua companheira o levou ao hospital. Deixa três filhos.
Morreu de um acidente vascular cerebral (AVC). Ou melhor, sua doença foi a poesia crônica.
Morreu de emoção, overdose de arte na veia. Nosso eterno salve.
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on quarta-feira, 27 de maio de 2009
at 16:59
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