É com imensa alegria e preguiça que inicio aqui as narrativas referentes aos fatos acontecidos durante o desenrolar do chamado Radical Rock Demo.
A saber: a assim denominada equipe de apoio, o gt de rock'n'roll dos Radicais Livres, está fazendo uma tournè internacional dentro de São Sebastião, com o intuito de divulgar o Radical Rock, que acontecerá nesse sábado, para impedir que o evento seja um total fracasso de público. A longuíssima tournè durará uma semana inteira, e se realizará cada dia em um importante colégio da cidade, nos intervalos das mesmas, de manhã e de tarde, rolando quiz e distribuição de ingressos e tudo o mais.
Minha ingrata missão, aqui, meus jovens, é narrar todo o proceder da parada. isso se dará ao longo da semana, e eu narrarei diariamente o que rola em cada demo em cada escola. Uma espécie de coluna, mas no mundo das colunas, essa seria uma minissérie.
A escola que visitamos hoje foi o colégio São Paulo, que fica próximo aos cafundés do Judas Iscariotis, muito acima da trigésima DP, perto do balão onde o vento de São Sebastião faz a curva.
Enfim...
No dia anterior, eu (d.b.), Gil William e Eduardo tinhamos feito o seguinte combinado: Gil William passaria na minha casa por volta de sete horas (o Gil mora na rua 25 do bosque eu eu mora na 21), e de lá passaríamos ambos na casa de Eduardo, que mora no São José. De lá pegaríamos o Kombão na auto elétrica (eu, de besta, achava que ela estava na hidroelétrica...), onde um Kombão renovado e cheio de energia nos aguardaria. Isso é como deveria ser. Mas foi assim: o Eduardo acordou por volta das sete e 15 sem saber onde estava até se tocar de que tínhamos uma demo do Radical Rock pra fazer. Então o Eduardo passou na minha casa e nós passamos na casa do Gil William. Tudo ao contrário...
Chegando na casa do Gil, gritamos tanto que, se nossa voz tivesse força igual à imensa raiva que sentiámos, nosso grito acordaria não só o Gil William mas a vizinhança inteira... Se bem que era mais fácil acordar a vizinhaça do que o Gil. Por baixo do portão, víamos o focinho e as patas de Dinossauro, um feroz cachorro vira lata que late que é uma beleza, pertencente ao Gil. Depois de uma enorme sessão de chamação, da qual eu fazia parte discretamente por medo de incomodar os residentes da casa, aparece o Gil William, com uma cueca samba canção e uma camisa dos Sex Pistols, e a cara cheia de remela... Inegavelmente, ele estava dormindo.
Entramos então no quarto do Gil, que mora numa senzalinha como eu, para quem não sabe, é uma espécie de quartinho que fica separada do resto da casa onde moram os meninos esdrúxulos da família. O quarto do Gil é uma crônica à parte. Confeso que eu fiquei puto quando o Gil pegou um cd numa pilha no chão, colocou no seu aparelho de som e ligou à toda altura. Caramba, se eu soubesse que podia fazer barulho eu tinha gritado e xingado tanto que a orelha do Gil chega ia doer.
Descemos então da casa do Gil pra minha casa de novo. No camiho paramos na padaria e pizzaria do seu Gilberto e o Gil comprou um saco de pão de queijo e a ainda pagou um cafezinho pra nós. Fomos descendo e trocando ideia. Lá em casa, encontramos seu Adão, treinador de corrida que está trabalhando de pedreiro lá em casa, e meu pai, que já estava de pé, e pior, de pé em cima da laje da caixa d'agua, junto com o seu Adão, discutindo o que iam fazer naquilo que será o futuro quarto meu e do Zequinha.
Gil e Eduardo, viciados que são, ficaram neste computador diante do qual escrevo, mexendo em seus Orkuts, fazendo divulgação do Radical Rock e do Rock sem Fronteiras de amanhã, eu espero. Eu, entendiado que estava, fui po meu quarto assistir Tom e Jerry e ler alguns capítulos de um livro do Nite, ao mesmo tempo. Não me pergunte como eu faço, apenas saiba que faço. De repente ouço uma voz do além gritando o meu nome. Não era Deus. Era o Eduardo. Eu percebi isso na hora que ele me chamou de "Fi da égua. Vamo, vamo, vamo! Seu pai já tá saindo!" Caraca, eu não sabia que a gente ia sair com meu pai e a gente nem tinha pegado as coisas necessárias. Então eu fui procurar as coisas, mas fica difícil pensar com o Dudu gritando. Gil aparece, eu resolvo anotar tudo pra não ter esquecimento. O Pacotão do Demo, que é o "pack" que utilizaremos a semana toda, daí a importância de anotar tudo. "Leva o cabo azul e o vermelho e aquele outro", dizia o gill. "Não, não precisa", eu argumentava, "vamos levar só o essencial". Beleza.
Partimos, no carro do meu pai, eu com as coisas na mão e socando na mochila, rumo ao resgate do Kombão. No meio do caminho, ligam pro celular do meu pai. Eduardo atende. "O que... Se você não falar alto eu não vou escutar, né, nanah... ahn? Uma sacola branca? Não... Pera aí, vou ver aqui. É, o Gil tá com uma sacola branca aqui... O que? Não acredito...".
Pra encurtatr o diálogo, o Gil tinha trazido a sacolinha com a marmita do seu Adão. Não me pergunte porque. Isso é um mistério. Dentro tinha um rango esperto, uma vasilha de maionese com café e leite, álcool, outra com álcool, enfim, todo o necessario para um dia de labuta. O fato é que teríamos de voltar lá para devolver. Voltamos. Eu e Gil aproveitamos o caminho pra ir pensando em tudo que precisaríamos e anotar, e já pegar o que, na pressa, esquecemos lá em casa. Fomos, pegamos, depois fomos à casa do Eduardo, buscar todo o resto que estava lá, pois os Recalcitrantes tinham ensaiado no dia anterior. O Emerson não tinha chegado ainda. Isso por que o Eduardo tinha ligado lá de casa e mandado ele descer, pra dar tempo. Emerson mora numa rua adjacente com a do Eduardo... Enfim. os caras foram pegar as coisas que estavam lá dentro. Coisa pouca: a bateria e os cubos. Eu inventei de anotar tudo, pra não ter erro. Eduardo ficou bravo, achou que eu devia ajudar a carregar porque a gente tava com pressa. Mas eu continuei anotando. Porque afinal era coisa boba de carregar, e tinha dois caras, mais o Emerson, que tinha acabado de aparecer. Rumamos então para a casa do Sérgio, da banda Divine Asphyxiation, naquela rua que tem um monte de bazar e uma padaria, virando ali na piu doze, depois da Player Games. Ele entrou na Combe depois de perguntar o que ia precisar e levar uma tirada. Daí fomos em disparada pro São Paulo, quase atropelamos as crianças que faziam atividade perto do portão, entramos na doida no estacionamento enquanto o portão fechava, e, como é uma rampa depois uma descida, o Nombão deu um salto que nem Need for Speed mostra. O Eduardo freou no chão de terra, a Kombe fez uma zerinho e parou perto da quadra, que fica perto do estacionamento. Abrimos a porta e descmos no gás levando os equipamentos, abrindo espaço entre os alunos que jogavam queimada. Eduardo fez a parte diplomática, conseguiu as tomadas, fez piada com o diretor, xingou o time do professor, deu uma cantada na coordenadora, essas coisas que fortalecem o laço, e então ficamos à vontade. Montamos tudo e então esperamos o sinal tocar. Eduardo no baixo, infelizmente na voz, Sérgio na guitarra e Emerson na bateria. quando o sinal tocou, a galera veio em volta e então mandamos ver. É estranho. É um monte de gente diferente te observando e tal, mas quem convive com Eduardo e Gil não tem medo de coisas estranhas. Tocaram Raimundos, Raul Seixas, "Que País é Esse?", essas coisas básicas. Fizemos um quiz, pra dar alguns ingressos grátis. O Eduardo perguntou quem eram os Reis do Rock na Inglaterra. Os hip hopeiros ficaram mangando da gente que eu vi. O Gil entregava os ingressos pra quem ganhava. O sinal bateu, e então o pessoal veio pedir autógrafo. O pessoal não, né, as meninas. Mas na verdade os autógrafos eram pedidos pro Emerson. Filho da mãe. Como ela não sabia asisnar, ele fazia o desenho do skate. Como ele não queria dar o Orkut dele, ele dava a comunidade dos Recalcitrantes e dizia que, se as garotas entrassem lá, elas achariam ele. Sou obrigado a admitir que a comunidade vai bombar, vai pular de 36 membos pra 300 pelo menos. A moça da coordenãção estava pensando que ele era um dos membros do Jonas Brothers que tinha chegado antes ao Brasil, para o show. Quando conseguimos nos desvencilhar das fãs do Emerson, levamos as coisas pra biblioteca Menino Maluquinho, na verdade um depósito onde ficavam alguns livros que iam pra verdadeira biblioteca que era em outro lugar. Confesso que vi alguns títulos que me depertaram a cobiça. Lá no colégio tinhamos encontrado o Bocão, que estava de bike. Metemos a bike dele no Kombão e fomos pra Adm. Me recuso é reproduzir aqui o diálogo de Eduardo, para toda administração ouvir, com o George Gregory gaúcho. Depois fomos pro Chicão. Precisamos falar com a Leisa, disse Eduardo pro porteiro. Mas na verdade queríamos era ver as gatinhas. E vimos muitas gatinhas, mas acho que elas não nos viram. A aula acabou, ficamos lá na frente, Eduardo e Gil davam em cima de uma guria, eu e Raylan, que estava lá na aula e agregou-se a nós de lá mesmo, queríamos almoçar, estavamos esperando os meninos mas eles decidiram gastar o diheiro do almoço deles com vinho. Eduardo pediu pra eu não falar pra Don Daguma que eles estavam bebendo, e eu não falei. Se ele ler o blog, eu não tenho nada a ver com isso. Eu e Raylan retamos e fomos pro Rorizão. Chegando lá encontramos a máfia todinha. Sentamos com eles. O Mardônio apareceu lá no fim de tudo, com cara de besta e nós cantamos feliz aniversário pra ele. E todo o Rorizão entoou o coro para saudar o Mardônio, que não estava fazendo aniversário. Era sacanagem nossa, uma tradição dos Radicais Livres levada adiante por gerações.
Eu e Gil fomos pra biblioteca a adm. de tarde, ficamos lá, lendo, tinha alguns colegas nossos lá. De repente, por volta de umas 13h56, aparece o Eduardo, na porta da biblioteca, a mão na cintura na altura da pochetinha, o óculos Ray Ban reluzindo ao sol e sua silhueta recortando-se do céu claro do lado de fora, numa pose heróica:
- SEUS FI DA PUTA! CES TAVA ERA AÍ!!!!!!
Eu só vi as duas moças da biblioteca virarem o rosto lentamente em uma sincronia absurda, que parecia que eu tinha ensaiado, e olhar de ladinho assim, daquele jeito que dá pra ver o branco do olho, com a maior cara de reprovação do mundo... Mas o Eduardo não perdeu a pose, olhou com cara de censura e nós fomos pro Kombão na pressa do caramba, porque tínhamos combinado de chegar às duas. Só lembrei do tempo em que eu andava pra cima e pra baixo no carro do Máximo Mansur, quando ele corria e xingava e parava duas horas nos lugares e conversava e depois saia numa pressa danada xingando. Estava acontecendo o mesmo conosco.
Tocamos de tarde, a faixa etária do povo era menor, mas foi bom também. É verdade que metade dos garotos saíram no meio do show, mas também, a gente tava tocando uma baladinha dos Beatles...
Uma garota tinha ido de manhã e voltou de tarde para ver o Emerson, mas ele tinha ido trabalhar. A gente tinha tentado ligar pro Chiquinho, que não atendeu. Então o Sergio foi pra bateria, eu fui pro baixo, o Eduardo foi pra guita mas infelizmente continuou o vocal. O Gil ficou na entregação de ingressos e o Bocão ficou na parte da democratização da informação, soprando as respostas do quiz pros alunos presentes. Até que o Eduardo perguntou quem era o vocalista do Iron Maiden e ele soprou pra uma guria que era o Eddy...
De tarde voltamos, mas o Kombão acabou a gasosa lá no balão do bosque. Fizemos a reza, com toda a fé:
São Dagomé,
Mão e pé
Faz a Kombe pegar
Pra gente não ir a pé.
Tudo bem que o problema era a gasolina, mas a gente rezou com tanta fé que a kombe pegou e começou a andar.
"É um milagre!", alguém gritou. Mas não fomos vigilantes, e a Kombi afogou de novo na esquina da minha rua, não exatamente na esquina, mas na ladeira antes da esquina propriamente dita. Descemos, empurramos a Kombi, apareceu um doido numa bicicleta e ajudou a gente (valeu aí, seu moço). Chegamos com a Kombi na porta de casa, o Eduardo buzinou que só o capeta pra Neilma tirar o Ford Ka, vulgo Baratinha, da porta pra gente empurrar a Kombi. Colocamos pra dentro e fechamos. O único paia é que o Gil William levou a maçanetinha que é ao mesmo tempo chave da Kombi pra casa. Pra que, eu não sei, é um mistério.
Enfim, assim acabou nosso primeiro dia de Radical Rock Demo, o primeiro de muitos que virão até sexta-feira.
Na verdade muita coisa aconteceu de lá para cá, mas o que interessa está registrado, são uma e quarenta da manhã e eu tenho que dormir, e quero também, que eu estou morrendo de sono, e amanhã tenho que acordar sete horas da manhã pra gente fazer a demo no São José. De noite vai rolar o Rock sem Fronteiras e vai ser pauleira.
O texto vai estar repleto de incorreções gramaticais, sintáticas, morais e de digitação, mas no estado lamentável em que me encontro, isso são só detalhes bananais [N. do Co-E.: essa eu não vou corrigir, Devana. Sem querer querendo, o trocadilho ficou hilário!]...
Até amanhã, quando trarei o resumo do Radical Roque Demo - Episódio II no São José.
Nessa mesma hora, nesse mesmo canal.
d.B.
Nota do co-editor: é a enésima vez que exercito a paciência de Jó para colocar iniciais maiúsculas no começo das frases e nos nomes próprios de um texto do Devana... A "Caps Lock" só pode estar quebrada...