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#II............................................................................................................por Herick Murad*



MANGUETOWN


Hoje, em nossa coluna, falaremos de como cuidar de nossa cidade, mesclando cultura.



Sábado (25), chegamos às 23h no Setor de Clubes Sul e o show da Nação Zumbi não tinha começado. Decidimos panfletar em frente ao Clube Arena o próximo evento, Festival Candango Cantador, com data para início do mês de agosto nas cidades satélites, com final no Plano Piloto.

Muita gente bonita passeava na entrada antes do show começar.

A banda Móveis Coloniais de Acajú abriu a festa e em seu repertório ritmos como Ska, Rumba , Samba Rock davam a idéia da grandeza do evento.

Os músicos da Móveis Coloniais não deixaram a desejar, puxaram o público para dançar ciranda, compassos bem marcados, coreografia bem executada e com pitada de efeitos pirotécnicos de palco. Antes do término do show da Móveis Coloniais, fomos ao camarim entrevistar a banda Nação Zumbi.

Conversamos com o vocalista e compositor da banda, Jorge Du Peixe, que nos falou sobre a mais nova experiência em sua carreira. "Nação Completa quinze anos do seu primeiro disco, 'Chico Science e Nação Zumbi Da Lama ao Caos', e temos um grande prazer em tocar para o público de Brasília e comemorar essa data. São quinze anos que fazemos shows aqui também”, afirma.

Final da década de noventa, surgia na Universidade Federal de Pernambuco, a UFPE, o movimento a favor da preservação dos manguezais e que se casou com o folclore da região, o Maracatu, para nascer o Manguetown, criado e liderado pelo músico, filósofo e poeta Chico Science.

Junto com a banda Nação Zumbi, Chico Science levou, através das suas letras, conhecimento para o Brasil e para o mundo da realidade da vida da população ribeirinha dos mangues do Recife e a preservação ambiental do seu ecossistema, além de sintetizar os ritmos folclóricos com o moderno som eletrônico.

Chico Science faleceu em 2 de fevereiro de 1997, por causa de um acidente de trânsito em sua cidade natal, Recife-PE.

Com a Nação Zumbi lançou discos como "Da lama ao Caos" e "Afrociberdelia".

São obras que marcam sua fulminante carreira em conjunto com a banda.

Após sua morte os fãs imaginavam que a Nação Zumbi iria acabar, pois seus poemas e suas canções eram como se fossem uma unidade.

Para muitos na época, Chico Science e Nação Zumbi eram uma banda só.

Mas a banda superou a perda e lançou seu primeiro álbum, "CSNZ", ainda com mixagens com a voz de Chico.

Neste disco Jorge Du Peixe sai da Alfaia (instrumento de percussão) para os vocais com sampler e lidera o grupo até hoje.

World metal, coco dub, ciranda psicodélica, bolero dollywood, psycocarimbó, baião cibernético, foram os estilos rítmicos dados pelo vocalista da banda Mundo Livre S.A., Fred 04, banda que também faz parte dos primórdios da cena Manguetown da Recife, para explicar o mais novo disco da Nação Zumbi, "Fome de Tudo". E foi com esse disco que a Nação Zumbi abriu o seu show no Clube Arena em Brasília.

Exatos uma hora e quarenta minutos de puro êxtase sonoro, da primeira música a ser tocada, "O Olimpo", do novo disco, até a versão de "Homem Gol" de Jorge Ben.

Aproximadamente um público de dois mil pagantes e fãs da banda puderam ouvir e relembrar músicas como "Manguetown", "Praeira", "Cascos Caos" (interlúdio), "A Cidade", "Afrociberdelia" e dentre outros.

O espírito do movimento Manguetonw, da preservação da natureza, do mangue, do caranguejo e o seu habitat, não morreu com Chico Science, está aí até hoje, fortalecido pelos seus companheiros que fazem juz ao nome de "Nação", guerreira, Nação Zumbi.

Pois é, onde tem um grupo de artistas que se mobiliza por uma questão seja lá qual for, ecológica, social, ambiental, política, de sua região, tem uma postura diferenciada dos demais, consegue alcançar voos mais altos. A música, o teatro, o cinema são ferramentas de voz viva para as mazelas de uma comunidade. Cantar a sua comunidade é cantar a força que ela irá produzir para manter-se viva.

"Da lama ao caos, do caos a lama, o homem roubado nunca se engana"...

"Xila hey lay dómilindró !!!!"

Chico Science.

Se laske doido !!!!!



*Herick Murad é fotógrafo e careca.

Recentemente, na estreia de sua coluna,

levou uns esbregues de Krháudyo Sena,

e desde então aprendeu a xingar

e usar o lema dos Radicais Livres:

Et laquem et doaedum,

que em português quer dizer:

SE LASQUE DOIDO!

d.b., co-editorums pentelhums


This entry was posted on quarta-feira, 29 de julho de 2009 at 14:54 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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