Muitas pessoas, em maiores ou menores escalas, já receberam o ofensivo xingamento de "burro". Não que tais pessoas fossem de todo inúteis. Mas várias delas passaram assombradas por aquele terrível trauma pelo resto de suas vidas. Teriam elas nascido com o gene "maldito" da burrice? Ou sua condição de vida e o esforço empregado para o sucesso foram medíocres?
A discussão é difícil. No Ocidente, principalmente nos Estados Unidos (EUA), prevalece a avaliação das pessoas de acordo com o quociente de inteligência (QI). É a noção segundo a qual a inteligência do ser humano é inata, de nascença e nada pode ser feito para alterá-la. Esta forma de julgamento pode excluir os que não tiveram tantas oportunidades quanto outros. Uma pessoa estadunidense, de pontuação baixa no QI, pode nunca entrar para a faculdade.
Nas sociedades asiáticas, por exemplo, a orientação é diferenciada. Influenciadas pelo Confucionismo, tais populações compreendem que as pessoas diferem pouco na inteligência. O que realmente define a vitória de cada um é o esforço feito para a vitória.
Após 20 anos de estudos científicos sobre a inteligência humana, o psicólogo americano Howard Gardner chegou a algumas conclusões muito esclarecedoras a respeito da questão. Relativo aos dois pontos acima citados, afirmou que os fatores, tanto o de nascença (genético) e de esforço influenciam na geração da inteligência das pessoas. Segundo o cientista, o fator ambiental (local onde vive, sociedade em que se cria, valores sociais) também influencia. De acordo com o estudioso, há oito tipos de inteligência:

  • Lingüística (medida em teste de QI) - Capacidade de compreensão das línguas, da fala e de comunicação oral;
  • Lógica (medida em teste de QI) - Compreensão matemática, raciocínio lógico;
  • Espacial - Saber se orientar nas ruas, dentro de salas, posicionamento dos objetos à sua volta;
  • Musical;
  • Corporal - Atividades com técnicas corporais e esportivas;
  • Naturalista - A habilidade de compreender os fenômenos naturais;
  • Intrapessoal - Reconhecer os próprios defeitos e qualidades - e tomar decisões com base neles;
  • Interpessoal - Interpretar decisões dos outros e exercer liderança.
Podemos ter mais um tipo de inteligência e outros não. O que Ronaldinho "Gaúcho" faz com a bola é praticamente impossível para pessoas sem inteligência corporal. Mas será que Ronaldinho "Gaúcho" é um "mestre" do Xadrez? Tenho minhas dúvidas. Mas praticando ele pode ser um bom jogador.
Assim, o cientista Gardner descartou a idéia que divide a humanidade entre burros e inteligentes, ignorantes e iluminados. Ele diz ainda que "os verdadeiramente burros são raros". Cada ser humano é muito importante para o bem de todos. Aos traumatizados, tranqüilizem-se. Devemos apenas encontrar o nosso potencial, o nosso tipo de inteligência e correr para o abraço. Está tudo dentro de nós.

Vinicius Borba é néscio e só escreve nesse jornal porque tem QI.
"Radical News", abril de 2008, p. 2.

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