Todos que assistem TV devem conhecer o comercial do Hemocentro de Brasília com aquele copinho de sangue diminuindo o nível enquanto acima um conta-gotas pinga vagarosamente gotículas de sangue em vão. Todos ficam sensibilizados, pois realmente o comercial é tocante. Parabéns aos publicitários!
Essa semana um amigo tentou doar seu sangue procurando atender o apelo das autoridades a respeito dos baixos estoques de sangue. O Doutor que o atendeu fez uma dúzia de perguntas interessantes a respeito de sua saúde e hábitos em geral. Ao que o amigo, saudável como um touro saudável ou um camelo saudável ou qualquer outro animal igualmente saudável, respondeu pacientemente a todas elas com destreza. Quando chegou a pergunta sobre o número de parceiros sexuais no período de 12 meses, ele parou, tossiu, voltou seus olhos à periferia esquerda do campo de visão e respondeu "ah, sei lá, umas cinco". O Doutor não conseguiu disfarçar a surpresa mas continuou a entrevista. Ao final, ele explicou categoricamente que o desditado amigo não poderia doar seu sangue que salvaria uma pessoa (inclusive poderia ser ele mesmo, o Doutor!), pois tinha múltiplas parceiras. Deu-lhe um papel ensinando ao amigo - doador já há algum tempo e saíra de seu percurso cotidiano, matado aula para fazer a ação benéfica - que a multiplicidade de parceiras sexuais era incompatível com a doação.
Tudo bem até então, o Doutor só estava fazendo seu trabalho. A questão é quando a instituição é falha ao estabelecer esses requisitos, pois dois meses e quinze dias antes esse mesmo amigo tinha o mesmo número de parceiras e ainda assim doara seu saudável sangue sem maiores problemas. Por que diabos não poderia doar agora? O critério havia mudado? Não, o Doutor havia mudado!
É verdade que no papel explicativo diz que o número de parceiras pode proibir a doação, mas qual é esse número? Pois lá diz "múltiplas parceiras", e, de acordo com a lógica, múltiplas é qualquer número acima de um, logo só podem doar os virgens, casados fiéis e encalhados. Além disso, se apenas uma entrevista é o necessário, fica fácil. Basta mentir e dizer que é virgem, casado fiel ou encalhado. Simples assim! É o mesmo que dizer que quem transa está com o sangue contaminado, mesmo que o sexo tenha sido seguro.
Fonte: "Radical News", abril de 2008, p. 5.
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on sexta-feira, 30 de maio de 2008
at 01:33
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