ou: o Levante do Doidinho de Varsóvia
Ou: o Sorriso Desmantelado da Vítima do “TOCE”
Ou: o fungado de Mão-de-Aço e as múltiplas variações de um samba mal interpretado
Ou: de como Daguma atuou como algoz de um doido preto

O jogo de xadrez e suas proverbiais querelas ocuparam parte expressiva das edições recentes do Radical News. O objeto principal das matérias publicadas nas últimas duas semanas foi o estado mórbido da loucura enxadrística do camarada Isaac Capablanca, o perdedor contumaz, com o qual convivo com certa freqüência em função das várias reportagens que tenho feito com o mesmo ao ponto de ter Isaac cogitado a estapafúrdia idéia de tornar-me seu biógrafo autorizado. A proximidade com o mesmo me permitiu o deleite de, a cada número do Radical News, testemunhar suas “pós-leitura” dos textos. Devo dizer, por força do meu compromisso imbusbebável com a verdade, que o que se assistia era a mais pura e franca predominância do instinto animal. Debaixo do pé de sirigüela que D. Jovita, minha santa mãezinha, me obrigou a plantar no quintal lá de casa, quantas vezes presenciei Isaac, incontrolável, repetindo psicopaticamente: “Dagomé... Dagomé...” uma pausa breve e “Dagomé... Dagomé...” – e arrematava: “Ôxe, ôxe, ai, ai, ai! O rapaizinho tá nervoso, viu Júlio César! Mais uma pausa e resmungava com Juninho: “O rapaizinho tá com raiva, viu Devana! Ôxe, ôxe, ai, ai ai...”
Seja como for, esta é uma questão que já não pode estar no centro das atenções porque minha preocupação está voltada para uma outra questão, não tão eqüidistante entre o atlântico e o pacífico.
É que estou percebendo, receoso, que o problema de Isaac Bang-Bang, o Perdedor, é contagioso, e com um agravante: hospedando-se o problema na alma do meliante, o grau da insanidade, do transtorno, da perturbação e do torpor aumenta delirantemente. O fato de Isaac ter beijado na boca e por isso mesmo ter dado sinais de melhoras no funcionamento do seu sistema nervoso durante cerca de 12 horas, me fez pensar que havíamos chegado a uma cura definitiva do mal que assola a alma do don quixote piauiense, mas os últimos acontecimentos me levam a pensar que há algo de muito podre no reino da Parnaíba e que o “Cabelo de Arranhar-céu” apoiador de colecionadores de armas ao redor do mundo pode estar com um problema muito mais grave do que imaginamos no ultimo RN, tanto é que a doutora Talita Esquizzo Frênica atualmente atendendo no seu consultório no “Morro chamado Azul” foi obrigada a aumentar as dosagens de lexotan administradas sob o rigor de Diogo Ramalho Bush-Laden e a vigilância dos plantonistas do HPAP. Senão vejamos:
O caso que tomo como exemplo para explicar a minha suspeita de uma epidemia psicológica no campo das atuações enxadristicas no perímetro suburbano de São Sebastião refere-se às atitudes do nosso dileto amigo e companheiro Célio Mão-de-Aço que, exatamente no dia que seria o dia da redenção de Isaac Django, ao dar umas beiçadas na doidinha, foi quem transportou o mesmo Isaac do Centrão até à casa da dita cuja e ali, dentro do Tipo vermelho placa LAM 2955, de propriedade ignorada e uso indisciplinado é que teria sido contaminado o nosso querido Mão-de-Aço. O fato é que depois desse dia o nosso amigo vem tendo um comportamento oscilante. Nas últimas partidas da xadrez, Célio passou a agir com certa impaciência, num misto de arrogância e ações descoordenadas e movimentos involuntários das mãos e das pernas.
Num momento ele funga - uma respirada que parece ser a última, a da morte - depois ele cantarola algo não identificável (inaudível pra dizer a verdade, mas parecendo uma leve imitação do uêranal de Maximo Ratatá Rambo Mansur, tentando demonstrar um controle emocional que ele definitivamente não possui) – quando na verdade ele está sempre em situação de risco, já que não recorda da última partida que alguém deixou que ele empatasse - comprovando que vem passando por um processo evolutivo de Transtorno Obsessivo Compulsivo Enxadrístico (TOCE), (dando seguimento à tradição sansebastianense de uma epidemia por ano) que vem preocupando os especialistas da área uma vez que esta pode se tornar a mais nova e intrigante epidemia da área da psicologia, tanto que um congresso está sendo organizado no Centro de Agricultura, quero dizer, no Centro de Cultura do Morro chamado Azul, para ser discutida esta ramificação da loucura humana com ampla participação do PAPC (Programa de Assistência Psicossocial do Cílicio), que já prepara uma campanha nacional.
Recentemente, Célio Mão-de-Aço/CMdeA deu uma grande prova de que realmente foi acometido do TOCE. Tudo aconteceu durante uma partida disputada no último sábado, no Clube de Xadrez Cavalo Negro, enquanto, eu, Paulinho Dagomé, mais conhecido como o Sanguinolento; ele, CMdeA e Juninho, vulgo Devana Babu, aguardávamos à chegada do seu Humberto, membro daquela insigne confraria. CMdeA, entre uma cantarolada e uma fungada (ia até bem), achou no meio da partida um xeque-mate (“achou” porque só quem sofre de TOCE “acha”) e deu o suposto golpe fatal, levantando da cadeira todo soberano, enorme, intocável, à imagem e semelhança do próprio Kasparov; levantou com o riso do escárnio na cara e o dedo da imoralidade erguido e apontado para a sua pseudo-vítima, dirigindo-se até a porta da rua do clube dando enormes baforadas no cigarro que prontamente retirara da orelha direita, e que acendera estrepitosamente riscando um palito de fósforos no salto da famosa bota de cowboy e, indo depois até o bar que fica nos fundos do clube, encheu um copo com café até a borda e voltou para o tripudio final. Mas, eis que, do momento em que levantou, até voltar, Devana Babu/DB, testemunha ocular, e Paulinho Dagomé/PD, estavam de pernas para o ar sentados nos banquinhos do clube, aos prantos de tanto rir da jogada do “Doidinho do xadrez II”. É que existiam no tabuleiro, pelo menos 50 mil peças prontas para a defesa do rei. Pior: Ele voltou com o sorriso se desmantelando feito o WTC – PD e DB continuavam rindo incontrolável e escancaradamente – e ao perceber o erro que havia cometido ele soltou um suspiro de desalento desconcertante e comentou quase chorando: é que eu pensei que tinha sido mate! Daí em diante, incontrolável e escancaradamente, PD e DB continuaram a rir, a rir, e a rir. A partida terminou com PD balançando a barriga, rindo incontrolável e escancaradamente, tripudiando de CMdeA e vencendo uma partida que já tinha script preparado, com CMdeA perdendo.
Para tranqüilizar a todos e não despertar a preocupação da opinião pública, CMdeA está devidamente trancafiado juntamente com Isaac Karpov em uma cela especial, não no “xadrez” mas no HPAP e sem jogar xadrez, já que faz parte do tratamento o afastamento da causa do problema, uma vez que ambos comeram todas as peças e o tabuleiro disponibilizados pela Doutora Talita. Peças de xadrez de “suspiro” estão sendo confeccionadas por Dona Lourdes, sogra de CMdeA, para os doidinhos, para que eles façam o que entenderem: Ou jogam e ficam lambendo os dedos ou comem as peças de vez.

Paulo Dagomé

This entry was posted on quinta-feira, 29 de maio de 2008 at 12:49 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

1 comentários

este texto do paulo dagomé é realmente uma pérola da literatura brasileira e quiçã do mundo. realmente fiquei deveras emocionado. parábens dagomé. vc é muito bom.
ass paulo dagomé

29 de maio de 2008 às 16:31

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