Essa é uma estória real, com datas fictícias.
7 de fevereiro:
Uma jovem em seu apartamento, solitário e burguês, em uma superquadra qualquer, descobre um inicio de gravidez.
Seus pais que moram na outra extremidade dessa Asa nunca aceitarão o neto, ainda por cima se souberem que o futuro neto, é filho de um morador de baixa renda de uma cidade satélite qualquer!
Dia 8 de fevereiro:
A mesma jovem percorre as farmácias de uma cidade satélite qualquer!
Ao longo de sua procura ela encontra e compra um remédio abortivo, de volta ao seu apartamento ela toma o seu Citotec e ao passar das horas o aborto acontece e logo após morre com uma infecção em seu apartamento solitário.
Dia 9 de fevereiro:
Uma jovem morta em seu apartamento com uma criança abortada, seus vizinhos não sentem sua falta, é o mal de se viver em uma sociedade que se tranca e vive em bloco sua solidão.
10 de fevereiro:
Um corpo em inicio de putrefação começa a encher o apartamento com um odor terrível, até aquele momento, ninguém apareceu para bater na porta do apartamento.
Dia 11 de Fevereiro:
O forte odor começa a passar por entre as frestas das janelas e debaixo da porta, os vizinhos sossegados em seus apartamentos são incomodados e tem suas vidas individualistas e egocêntricas maculadas pelo odor impertinente.
Dia 12 de Fevereiro:
Depois de muito tempo os bombeiros chegam à porta do apartamento e a abrem, acham a jovem morta com seu bebê abortado, levam o corpo e comunicam a família.
Após uma semana de morta, o corpo é encontrado logicamente morto, seu corpo só foi encontrado porque a vida de seus vizinhos foi perturbada, todos enclausurados em seus apartamento fechados em uma solidão em bloco, durante esse tempo, o telefone não tocou, seus pais burgueses que moram na outra extremidade da Asa não sentiram sua falta, nem seus amigos, colegas e outras pessoas que a conheciam, foi preciso o odor de seu corpo podre incomodar seus vizinhos para se achar a morta e seu bebê, é preciso demolir as paredes desses blocos de solidão para construirmos uma sociedade de mãos dadas.
Diogo Ramalho
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on quinta-feira, 29 de maio de 2008
at 12:42
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