Durante muitos anos a cultura tem sido difundida num meio que pertencia apenas àqueles dotados do vil metal, não tardou para que fosse de única e exclusiva vontade da Igreja Católica, que, por séculos, perturbou o andamento evolutivo da nossa ciência e desenvolvimento cultural.
Nos últimos séculos, autores novos foram impedidos de surgir no meio que, até então, pertencia apenas aos senhores apadrinhados pelas esferas plenas do poder; eis o triste fado de autoridades literárias terem sido notabilizados mestres após suas mortes; o investimento por parte de poetastros e falsos prosadores gerou um saldo negativo quanto às perspectivas do que seja a Arte, ou seja, o que de notório e belo existe nela, desacreditando, desta maneira, uma pequena minoria que poderia crescer e fazer fluir de suas veias e estros a aurora magnífica contida no sentimentalismo humano. Se a cultura deve ser vendida? Sim! Mas para os empresários capazes de financiar o desenvolvimento cultural de sua região, prova de sua responsabilidade preocupada não só com o capital financeiro, mas, também, humano.
Uma pergunta importante a ser feita, quando se fala de arte em geral, é: quem tem direito a arte? Nessa sociedade segregadora em que vivemos a única forma que o povo tem para se entreter é através da televisão. Será que os cidadãos de baixa renda só têm direito a isso? Não! A arte é de todos, grupos e movimentos culturais espalhados por todo o Brasil, principalmente pelas periferias das grandes cidades, têm se empenhado cada vez mais por ideal: a democratização da arte; levando-a ao povo e descobrindo, em sua comunidade, artistas que estão ali por merecimento e não por propagandismo feito pelos meios de comunicação.
Um levante anda levando cultura de qualidade, e o melhor: de forma gratuita para o povo, que aplaude com fervor e compreende que o país vem perdendo cada vez mais espaço. Hoje, enxergam-se apelos desesperados da mídia pela cultura das favelas, pelo artista das ruas, prova de que "eles" quando não conseguem manter seu público com a banalidade que passam ao povo, tentam furtar a arte periférica se mostrando como parceiros e incentivadores, escondendo, inclusive, artistas que têm em seus discursos idéias ácidas sobre a mídia - opostas aos seus meios. Isso é democracia?! Não! É imposição mascarada de bem comum!
Com base nisso, O Piagüí e o Radical News têm orgulho de apresentar sua proposta de desenvolvimento cultural para a sociedade, visto que a cultura, além de ser de grande importância para o crescimento como ser humano mentalmente são, deve ser, também, colocada à luz de todos e todos devem participar como protagonistas.
Nossa ideologia é nobre, algumas vezes atacada por aqueles que não acreditam na nossa filantropia cultural, e que cultura e informação não devem ser dadas gratuitamente, tornando na nossa concepção, uma empresa preocupada única e exclusivamente com os seus próprios interesses; no entanto, esse não é o nosso objetivo. Tudo isso ocorre porque nossos trabalhos são abertos para toda a sociedade, o povo não precisa pagar para tê-la ao seu alcance. A nova concepção é: a Arte deve ser paga por pessoas que têm recursos para tal, contratando espetáculos e ajudando grupos culturais sérios que além de reconstruírem a arte, desenvolvem trabalhos sociais nas comunidades onde vivem, sempre mostrando caminhos melhores para jovens que não possuem perspectivas. Desta maneira, incluímos a cultura cada vez mais em locais que a elite menos espera: artistas com cabedal artístico surpreendente e de qualidade ímpar.

Diogo Ramalho
Daniel C. B. Ciarlini
(edição do Suplemento O Piagüí)
Apud "Radical News", abril de 2008, p. 7.

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