EDITORIAL - O Ressentidinho  

Postado por d.b em

O grupo Radicais Livres S/A é uma organização de artistas que veio de nada e hoje tem porra nenhuma também. Mas acha que tem!
Na realidade tem! Nossos caminhos enveredaram por becos escuros e cheios de ratos oportunistas, com muito trabalho duro, muito sangue, suor e lágrimas. Muita discussão, muito bate boca, e muita contradição, principalmente, nos trouxeram a uma encruzilhada paradigmática bizarra: o que fazer com todo esse crescimento que enfrentamos? Desprezar mão que fora feito e por quem fora feito? Abraçar tudo que é novo e brilhante, pois tudo o mais está obsoleto e insano?
Paulo Freire lembra-nos que nem tudo que é novo é bom e nem tudo que é velho é ultrapassado. Hegel ressalta que a construção do conhecimento humano é como um rio com vários afluentes. Toda produção cultural humana se junta para formar esse grande rio do conhecimento que nos remete a um futuro de autoconhecimento individual e coletivo, desembocando na própria evolução do ser humano.
Mas parece que infelizmente Hegel estava errado em nosso caso.
Fala-se muito em ressentimento. ciuminho, vadiagem dentro dos Radicais, mas não enxergamos o crescimento que todos enfrentam, como pessoa e como Radical. A evolução não é a mesma para todos, então por isso vamos abandoná-los como velhos dinossauros que não conseguem acompanhar a manada em busca do Vale Encantado?
Vai ver que é por isso que Clemenza quis ter sua própria família no Poderoso Chefão, pois fora o responsável pela inclusão de um tímido fugitivo italiano que se tornaria mais tarde o grande chefão. Trabalhara à Família toda sua vida fielmente para depois ver um monte de ditos talentos recém-chegados entrando e transformando-a em uma organização sem respeito e debochada pelas outras. Nem ao menos teve um papel de destaque como ator famoso no filme. Isso quer dizer que fora um mediano, que não sabia desempenhar suas funções no "negócio de azeite" da Família?
Para quem não assistiu ao filme não se preocupe. Isso só quer dizer que ele se cansou de ser manipulado pelas cordinhas de Don Corleone e saiu fora para ser o senhor de si mesmo e manipular outros com outras cordinhas.
Uma cena que marcou minha vida, quando eu assistia pela décima segunda vez o Rei Leão, mostrava Mufasa se desmanchando entre nuvens sobre as savanas africanas dizendo para seu filho Simba (que sofria de crise de identidade): "lembre-se de quem você é, lembre-se de quem..."
A experiência que adquirimos durante anos deveria ser uma ferramenta para sermos mais sábios, mais sensatos e tolerantes com os fracos e doentes, agirmos com ética e não usar as pessoas como se fossem copos descartáveis que servem apenas para poluir o meio ambiente. Parece-me é que o poder tem subido à cabeça de alguns como uma dose de Natus Nobilis com pinga em uma garrafa térmica.
Mas o que estou dizendo? Quem se importa com tais apelos à atenção? Não faz a menor diferença. E como se zilhões de bactérias gritassem numa gota de água. Poderia um ser humano ouvir?
Não nos esqueçamos de onde viemos. Olhemos para as nuvens e talvez a figura de um leão gigante nos apareça: lembre-se de quem vocês foram...
"Radical News", junho, 2008.

This entry was posted on terça-feira, 17 de junho de 2008 at 11:05 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

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