Ou: A volta do Negão Jesuíno
Ou ainda: Como fazer um piá piar
Ou ainda: Como fazer um piá piar
Paulo Dagomé liga esbaforido para o assessor parlamentar do deputado eleito Geraldo Magela, Saulo Dias, pedindo aflito que o mesmo interfira junto ao deputado para liberar um assessor jurídico da bancada petista para uma emergência:
- Saulo, corre na 17ª que George Gregory está preso!
- Como é que é, rapaz? Já ligou pro Borba?
- Já liguei pra todo mundo. Eles tão indo direto para o distrito.
Na 17ª Cpmind, George Gregory aguardava com um olho roxo e o cabelo desgrenhado, visivelmente perturbado, a chegada do delegado plantonista a quem relataria os motivos que o guiaram a desacatar a autoridade do PM Rubenilton P. Ega Piá, que o flagrara na frente do Centro de Ensino n° 01 de São Sebastião, primeiramente sem os documentos da moto de marca Yamaha, ano 2003, de placa JJR7703, a qual pilotava perigosamente na frente da escola para chamar a atenção dos transeuntes. Após ter sido advertido duramente pelo Policial Militar e ter sido liberado sob a condição de ir para casa e guardar o veículo motorizado de duas rodas até que se achasse devidamente documentado, o meliante, ao invés de seguir os conselhos do PM, dirigiu-se até a casa de uma guria que morava não distante dali e tratou de vir com a garota, sem a devida proteção craniana, ou seja, o capacete até a porta da referida escola onde acabou por encontrar ninguém mais que o mesmo policial que antes o advertira. Não deu outra:
cadeia para si e depósito para o veículo motorizado de duas rodas que pertencia, é claro, ao pai do recalcitrante. Quando da chegada de Saulo ao local, a espera o atordoava. Milhares de sentimentos invadiam-lhe a alma. Sentimentos confusos, ligações de várias informações e reminiscências do ato recém-executado e que tantos males causaria a si e ao pai. Vinham-lhe à cabeça as imagens de mulheres espavoridas, gritos lancinantes, decibéis insuportáveis. Dante jamais imaginaria na sua Divina Comédia tudo que perpassava pela cabecinha do menino. Sentia-se o próprio Luis, de Graciliano, recordando o assassinato de Julião Tavares, por causa de Marina.
Finalmente o delegado chega, mas a espera continua porque o PM, não se sabe se maldosamente, havia conduzido o nosso anti-herói às dependências dos fundos da delegacia, onde o mesmo fora submetido a uma bateria de exames para comprovar a sua sanidade mental, porque o menino estava de tal forma nervoso que não parava de citar artigos e mais artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, de tal modo que o PM pensou que ele tava era doido. Ocorre que nestas mesmas dependências achava-se hospedado por práticas anti-sociais ninguém menos do que o negão Jesuíno, personagem de várias histórias relatadas neste veículo em números anteriores e que fora o algoz de Thiago Alexander quando da passagem deste pela 30ª DP de São Sebastião em razão da prática da agricultura familiar com um exemplar de canabis sativa entre as plantinhas do seu quintal. O que aconteceu ali, no escuro daquele recinto sem janelas e com um catre que servia de cama aos hóspedes ocasionais deixaremos a cargo da imaginação do leitor. O delegado de plantão disse poucas e boas ao nosso menino, deixando claro que só não o deixaria passar uns três dias ao lado de Jesuino por força das relações amistosas que mantinha com os chamados Radicais Livres, cujos membros eram um exemplo para a comunidade local e que deveriam era expurgá-lo, a ele, George Gregory Barcelos Pintoc das suas frentes de trabalho. O certo é que, ao encontrar-se com Saulo Dias, George caminhava meio de lado e trazia um estranho sorriso nos lábios que Saulo julgou ser um meio termo entre a dor e o prazer, entre o terreno e o divino, entre a Bíblia e o livro preto de São Cipriano...
Após cumprir as regras de praxe, Saulo conduziu o nosso piá até a sua residência no veículo motorizado de duas rodas já liberado pelo delegado com as devidas multas que montavam a uma cifra considerável para os padrões de vida da comunidade local.
O que aconteceu no quartinho onde habita o nosso garoto quando o pai fechou a porta atrás de si com uma cara de poucos amigos é coisa que jamais saberemos, mas o leitor dessas singelas páginas adivinhará.
Após algumas horas de angustiosa espera, Paulo Dagomé, pseudo-líder dos Radicais Livres e pai do sarau radical, recebe o telefonema de Saulo Dias, informando:
- Daguma, tudo limpeza. Mas você se lembra de um tal de Negão Jesuíno?
- Vagamente...
- Pois é, rapaz. Ele voltou!...
“Radical News”, novembro de 2006, p. 4.
- Saulo, corre na 17ª que George Gregory está preso!
- Como é que é, rapaz? Já ligou pro Borba?
- Já liguei pra todo mundo. Eles tão indo direto para o distrito.
Na 17ª Cpmind, George Gregory aguardava com um olho roxo e o cabelo desgrenhado, visivelmente perturbado, a chegada do delegado plantonista a quem relataria os motivos que o guiaram a desacatar a autoridade do PM Rubenilton P. Ega Piá, que o flagrara na frente do Centro de Ensino n° 01 de São Sebastião, primeiramente sem os documentos da moto de marca Yamaha, ano 2003, de placa JJR7703, a qual pilotava perigosamente na frente da escola para chamar a atenção dos transeuntes. Após ter sido advertido duramente pelo Policial Militar e ter sido liberado sob a condição de ir para casa e guardar o veículo motorizado de duas rodas até que se achasse devidamente documentado, o meliante, ao invés de seguir os conselhos do PM, dirigiu-se até a casa de uma guria que morava não distante dali e tratou de vir com a garota, sem a devida proteção craniana, ou seja, o capacete até a porta da referida escola onde acabou por encontrar ninguém mais que o mesmo policial que antes o advertira. Não deu outra:
cadeia para si e depósito para o veículo motorizado de duas rodas que pertencia, é claro, ao pai do recalcitrante. Quando da chegada de Saulo ao local, a espera o atordoava. Milhares de sentimentos invadiam-lhe a alma. Sentimentos confusos, ligações de várias informações e reminiscências do ato recém-executado e que tantos males causaria a si e ao pai. Vinham-lhe à cabeça as imagens de mulheres espavoridas, gritos lancinantes, decibéis insuportáveis. Dante jamais imaginaria na sua Divina Comédia tudo que perpassava pela cabecinha do menino. Sentia-se o próprio Luis, de Graciliano, recordando o assassinato de Julião Tavares, por causa de Marina.
Finalmente o delegado chega, mas a espera continua porque o PM, não se sabe se maldosamente, havia conduzido o nosso anti-herói às dependências dos fundos da delegacia, onde o mesmo fora submetido a uma bateria de exames para comprovar a sua sanidade mental, porque o menino estava de tal forma nervoso que não parava de citar artigos e mais artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, de tal modo que o PM pensou que ele tava era doido. Ocorre que nestas mesmas dependências achava-se hospedado por práticas anti-sociais ninguém menos do que o negão Jesuíno, personagem de várias histórias relatadas neste veículo em números anteriores e que fora o algoz de Thiago Alexander quando da passagem deste pela 30ª DP de São Sebastião em razão da prática da agricultura familiar com um exemplar de canabis sativa entre as plantinhas do seu quintal. O que aconteceu ali, no escuro daquele recinto sem janelas e com um catre que servia de cama aos hóspedes ocasionais deixaremos a cargo da imaginação do leitor. O delegado de plantão disse poucas e boas ao nosso menino, deixando claro que só não o deixaria passar uns três dias ao lado de Jesuino por força das relações amistosas que mantinha com os chamados Radicais Livres, cujos membros eram um exemplo para a comunidade local e que deveriam era expurgá-lo, a ele, George Gregory Barcelos Pintoc das suas frentes de trabalho. O certo é que, ao encontrar-se com Saulo Dias, George caminhava meio de lado e trazia um estranho sorriso nos lábios que Saulo julgou ser um meio termo entre a dor e o prazer, entre o terreno e o divino, entre a Bíblia e o livro preto de São Cipriano...
Após cumprir as regras de praxe, Saulo conduziu o nosso piá até a sua residência no veículo motorizado de duas rodas já liberado pelo delegado com as devidas multas que montavam a uma cifra considerável para os padrões de vida da comunidade local.
O que aconteceu no quartinho onde habita o nosso garoto quando o pai fechou a porta atrás de si com uma cara de poucos amigos é coisa que jamais saberemos, mas o leitor dessas singelas páginas adivinhará.
Após algumas horas de angustiosa espera, Paulo Dagomé, pseudo-líder dos Radicais Livres e pai do sarau radical, recebe o telefonema de Saulo Dias, informando:
- Daguma, tudo limpeza. Mas você se lembra de um tal de Negão Jesuíno?
- Vagamente...
- Pois é, rapaz. Ele voltou!...
“Radical News”, novembro de 2006, p. 4.
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on terça-feira, 3 de junho de 2008
at 07:06
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