Nasceu! A malquista veio à luz a fórceps. Malnutrida e órfã, foi saudada, de forma esfuziante, por um cortejo de mosquitos da dengue e ratazanas da hantavirose. Esmaecida pela poeira cerrada da época da seca, a estrela cadente guiou os quatro cavaleiros do Apocalipse até a parada de ônibus onde jazia a famigerada criança. Em uma confraternização inédita, todas as seitas de fundo de quintal da cidade, entoando “Glória, Glória, Aleluia”, ao som do teclado dos “Feras do Baile”, foram ao encontro da “Salvadora”. A trombeta do Anjo Vingador ressoou até os confins dos jardins bem-cuidados da “Ilha da Fantasia” (Plano Piloto). A partir daquela fatídica data, as promessas tão aguardadas de redenção se consumaram. Os ímpios – notadamente aqueles que faltam contumazmente às reuniões do coletivo - tiveram de se curvar diante daquele ser aparentemente frágil, vulnerável, raquítico e franzino. Um beato de Vitória da Conquista, conhecido por estas paragens como o mentor do hino messiânico “Mala Gay”, benzeu o infante dizendo: “Se lasque, doido!”. Enfim, com toda pompa e circunstância, merecendo, inclusive, uma nota de rodapé no prestigioso “Radical News” – publicação bastarda do grupo “Diários Associados” -, surgia a “Associação Sociocultural Radicais Livres”, sob o CNPJ 08.981.522/0001-23. “Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Motu Proprio” (mistificação, em latim, para “É Nóis”)!
Daniel Silva

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