Pequena antologia poética de Vinícius Borba  

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Elo fraco ou Elo forte

Se não há quem ouça
e não não há quem leia
também não há quem viva
e não há quem creia

revolta humana
contra o silêncio divino
até quando esperar?
grita de fome o menino...

Faroeste Caboclo
Ou Distrito Federal
Capitalismo para os loucos
Comem pasto no curral eleitoral!

A vida não espera
O Universo transpõe eras
Se da quebra a corrente está a mercê
Jamais esqueça: o elo fraco pode ser você

Dizer que não é capaz
Fácil fuga, covardia
Se és forte e aldaz
Ao próprio ser desafia

Na mediocridade destes versos
Peço feche esta ferida,
Fortalecendo estes elos
Na nossa corrente da vida.

***

Coito Antecipado

É imperativo o canal
Pra marcar e remarcar
Encontrar pra escape o fanal
E outras lombras interpretar

Quero a cura e a solidez
A loucura e a lucidez
Quero a faca e o queijo
O macaco e o realejo

Para estar sempre a serviço
Do meu sacerdócio eterno
Perder medo do silêncio
Trilhar meu espaço aéreo

Nesta incerta imaginação
E concretizar meu mistério
Dar asas e conclusão
Até o dia do cemitério

E que seja o palco e somente ele
Meu jazigo vago
Em cinzas sopradas
Por elencos cheios de trago

Ébrios com todo êxtase
Do antes de entrar em cena
Pois voltarei eternamente ao paraíso
E virei sem sobreaviso
Pra curtir com todos, das luzes o frenesi

***

Paranóia da Formiga-Cigarra

Formiga por natureza
Cigarra por Paixão

Formiga trabaia
Cigarra cantiga
Formiga relaxa
Cigarra esparra

Cantiga cigarra
Trabaia formiga
Formiga pisada
Cigarra bandida

Seu Grilo poliça
Cigarra parede
Cigarra responde, atiça
O pau come com sede

- Cigarra inocente, seu Grilo poliça!
Seu grilo devolve:
- Calma, calma minha gente! É na Delega que acaba esta missa.

Cabo na cadeia Cigarra vadia,
Cabo de laranja,
mas agora tem tempo
quase todo dia
só na cantoria

***

Shiiiii!!!

Só há um grito na garganta
Sempre foi assim
Talvez não haja remorso
ou qualquer estripulia
o grito, e só!
Só há um grito
Buscando a saída de mim
Emana da periferia
Cada terminal nervoso
Na magra costela, no dorso
No cérebro a cela de cada impulso
Eu grito... existe
Só há um
Então, repassa no intestino sopro pumm!!
E chega ao fígado esponjoso
Vítima da lúdica branquinha
Também conseqüência
Do protesto inerte, latente
Shiiiii! Só há um.
Se ele descobre a saída
Outros podem seguí-lo.
Shiiiiii!

***

E o que há nela
De mais belo, é este elo
entre tu e eu
poeta plebeu, e tu magistrado
com teu martelo a me ouvir
ao declamar me despir
e gritar encantar sorrir, bravejar
ou se rejubila, sem se contrapor
ou me aniquila sem na dor pensar
só que te incho a face
com golpes certeiros
das traçadas a dedos e
crio outro enlace
e minhas criam tomam
as próprias asas
assim trazem chamam
chamas das cinzas, brasas
nos amargurados e duros
incautos, puros
céticos, prepotentes
eternos ausentes

Tirando das mentes
o silêncio prisão
abro as portas do sentimento
e das belezas no coração

Assim nos faz a arte
Livres, leves
Soltos de marte
À maldade inertes

Assim medico meu ser
Busco amparo,
Levo esperança
Induzo a ler
A emoção escondida na alma
Me fazendo antever
No público a salva
Dos intocáveis tocados
Dos miseráveis emocionados
A assumir na praça, seu amor pela vida
O abandono das traças
E o retorno a luz...
Sua antiga querida

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