Capítulo I
Marujo dos Rios
Nunca se tinha visto tanta movimentação na humilde ilhota que ficava no meio do Delta do rio Parnaíba, as salinas estavam abarrotadas e o dono da Empresa Esniza tinha de entregar suas encomendas no prazo, o Capitão Chico Moura que fazia o trajeto da Ilha de Igoronhon até Parnaíba estava a dias que mal via sua esposa Dona Rosa que estava grávida de seu terceiro filho, segundo a parteira da região o que estava por vir era uma menina e ela poderia nascer a qualquer momento, com isso Rosa e Chico já tinha escolhido o nome, seria Raimunda, o casal tinha um sonho, deixar a ilha de Igoronhon e se mudar para a Parnaíba a princesinha do Igaraçu, onde vivia a família de Rosa. As duas filhas e a que estava por vir podiam crescer em um lugar melhor que aquele onde só haviam na sua grande maioria homens funcionários da empresa, na cidade as meninas poderiam estudar e ser alguém. Chico Moura estava manobrando a lancha da empresa para ancora - lá quando “Bastião” um menino de recado que morava do lado da casa dele veio correndo avisar que Rosa ia dar a luz, o capitão deixou o barco aos cuidados de Chico Pio e pulou dentro d’água, correndo para sua humilde casa, chegando a porta ouviu o primeiro choro da filha Raimunda, a parteira abriu a porta do quarto e ele entrou, vendo sua esposa com a filha deitada na cama se pôs a chorar de emoção, suas outras filhas entraram no quarto e abraçaram o pai , uma nova fase estava por vir na vida daquela humilde família.
Com o nascimento de Raimunda crescia o desejo de Chico mudar-se para Parnaíba, 1956 tinha sido um bom ano para o marujo dos rios, haveria uma promoção na empresa e todos sabiam quem era o provável escolhido para ocupar o cargo de administrador da fazenda, que era sede da empresa, Francisco Moura, o cargo era de confiança, tinha de levar o dinheiro que a empresa arrecadava para Parnaíba e outra parte para Tutóia, o último funcionário o “Seu Vicente” foi pego desviando dinheiro.
Mas como sempre acontece a inveja tomou conta de alguns funcionários que almejavam o cargo que até então seria oferecido a “Seu Chico”, falavam que ele dava carona a alguns ribeirinhos até cidades próximas e que isso atrapalhava as viagens, falavam que seria perigoso, pois ele poderia ser assaltado, realmente ele dava carona, mas nada que atrapalhasse seu caminho e ele não dava carona para qualquer um só para pessoas de Igoronhon que precisavam ir até outros vilarejos ribeirinhos. De nada adiantou no dia 20 de outubro, as portas do escritório ficaram fechadas por uma hora lá dentro estava Durval o chefão da empresa e Chico Moura, a conversa foi tensa, pois Durval queria ter certeza que escolhera a pessoa certa para o cargo e depois de tantas recomendações foi oficializado o que todos já sabiam, o capitão era o novo administrador da fazenda. Logo que saiu da sede foi em casa para contar a novidade a Rosa e também para as três filhinhas, Raimunda completava dois meses e as coisas estavam cada vez melhores as filhas mais velhas Antônia e Zélia estavam grandinhas e já iam começar a freqüentar a escola da empresa. Com o novo cargo Chico Moura viajava frequentemente para a cidade, quando estava chegando ao Igoronhon ele tocava o apito da lancha e sua duas filhas corriam para buscá-lo e contavam historias de suas brincadeiras e de que sua mãe havia brigado com elas sem razão, claro que não era verdade, as meninas eram um tanto quanto sapecas e corriam soltas por toda a ilha mexendo com os animais e subindo nas árvores, Rosa cuidando de filha pequena não podia ficar correndo atrás das outras duas filhas então queria elas por perto, quando Chico ia saber o porque de Rosa ter brigado com as meninas ela já ia logo avisando: “ Se as meninas já foram falar que eu briguei com elas, eu briguei mesmo e o senhor, “Seu Chico Moura” se achou ruim faça um colar com elas e leve no pescoço”.Eles riam e tudo ficava bem, Rosa e Chico eram só amor, as meninas tinham a sensação de morar no paraíso afinal nunca saíram de lá e aquela ilhota era o mundo inteiro.
Capítulo II
Enquanto os funcionários dormem
Igoronhon era um lugar para lá de tranqüilo, todos se conheciam, eram compadres, comadres, grande parte da população da ilha era de homens, como era uma ilha de salinas havia muitos trabalhadores de fora que formavam pequenos arraias onde ficava os alojamentos para os homens dormirem, eram mais de cinqüenta homens em cada alojamento, várias noites esses homens eram assombrados por um estranho ser, que atendia pela alcunha de Casca grossa, ele nunca era visto, o que se via era apenas um vulto andando por entre os alojamentos, escolhia um, entrava e lá dentro escolhia uma homem ou várias e então introduzia um sabugo de milho em suas vítimas e sumia, os outros trabalhadores acordavam assustados com os gritos dos colegas de trabalho, muitos já tentaram montar guarda, em vão os que ficaram de guarda foram atacados ou nem chegavam a ver o tal ser, só ouviam os gritos desesperados dos colegas atacados. No meio de tantos trabalhadores um em especial se destacava no meio deles, era Henrique que tinha ficado de guarda aquela noite ele apenas viu o vulto de alguém passando por entre os alojamentos, ninguém sabia ao certo o que era ou quem era o Casca grossa, acreditava-se que seria a alma de um índio que vagava por lá, pois na época do desbravamento das ilhas do Delta do Parnaíba muitas tribos foram dizimadas a partir de então muitas assombrações que apareciam lá era atribuídas a este fato,outros diziam que era um escravo morto que anda atrás de vingança, Henrique chegara a pouco tempo na ilha e já ouvira falar das lendas do lugar, ele não tinha demonstrado medo, afinal era paraibano brabo, de Conceição do Piancó, fugido de sua cidade achou em Parnaíba a oportunidade de começar vida nova trabalhando na Esniza, o trabalho era pesado, quando acabava o serviço, antes de ir para o alojamento ia jogar baralho com os amigos na bodega do velho Simão e de lá ia conversar fumando um porronca com seus colegas de trabalho, Henrique era jovem, alto e forte tinha o rosto moreno do sol, era um homem de poucas palavras mas gostava de trocar umas palavras antes de dormir, nessas conversas ouvia historias do Casca Grossa e outras como a do poço encantado que havia do outro lado da ilha onde se podia ouvir alguém pedir socorro, as vezes ouvia-se gritos desesperados, poucos tinham coragem de passar perto, as vezes os trabalhadores faziam apostas de quem era capaz de ir pegar um balde de água durante a noite, poucos corajosos se atreviam, Henrique já participou de uma aposta e trouxe o balde de água, mas segundo disse aos companheiros sentiu algo que poucas vezes sentiu, medo. Uma noite estava Henrique e seus companheiros sentados do lado de fora do alojamento, conversando sobre “causos” então começaram a falar de um poço que havia do outro lado da ilha onde ninguém tinha coragem de pegar água, dificilmente alguém chegava perto do poço, então Henrique desconhecendo a história falou que gostaria de ir ver, ou melhor, ouvir pessoalmente, só acreditava vendo, então se fez a aposta cada um pagaria uma dose de pinga quando ele voltasse, apenas Manoel e “Mundico” apostaram na vitória do paraibano, então deram a ele uma corda e um balde e levaram-no até boa parte do caminho a luz da lua clareava a vereda, chegando em um ponto, seus colegas ficaram e Henrique seguiu só, andou até que perto de uma cerca velha viu o poço foi chegando cada vez mais perto, quando de repente ouviu um barulho vindo do fundo do poço, como se alguém estivesse se debatendo dentro d’água, imaginando ser algum bicho qualquer ele continuou, foi quando ouviu-se o primeiro grito:” SOCORRO!” Aquele grito fez Henrique gelar o corpo, mas continuou andando em direção ao poço, quando estava a três passos de alcanças a beirada do poço o grito foi mais estridente e desesperador: “ME TIRA DAQUI! SOCORRO!” Henrique ficou então paralisado com o balde e a corda na mão não sabia se continuava com aquilo, então juntou forças e coragem, chegando à beirada do poço, olhou para baixo e viu a silhueta de uma pessoa lá embaixo, foi quando os gritos aumentaram: “ESTOU VENDO VOCÊ, ME TIRA DAQUI!” Dizem que foi um jovem que por acidente caiu no poço e morreu afogado, seu espírito não aceitou a morte então ele pede ajuda para sair. Quando Henrique ouviu que a visagem estava vendo ele pensou em recuar e ir falar com os amigos que não tinha tido coragem, mas em um segundo momento achou que teria coragem de continuar, jogou o balde e ouviu ele bater na água, de repente sentiu um puxão forte na corda que quase o fez soltar a corda com balde e tudo, os gritos foram aumentando e não paravam mais: “ME AJUDA! ME TIRA DAQUI, EU VEJO VOCÊ”, até que a visagem questionou: “Você não vai me tirar não?Então você vai ficar comigo!” A corda começou a ser puxada e Henrique já morrendo de medo de ir parar no fundo do poço puxou o balde com toda força que pode, conseguindo tirar o balde do poço os gritos continuaram e Henrique correu o mais rápido que pode deixando os gritos para trás, ele chegou a se perder pelo caminho até que encontrou os amigos, ele mostrou o balde, quase toda água havia derramado pelo caminho, mas ainda tinha um pouco para provar o feito, os amigos o parabenizou-o e foram pagar a aposta na bodega do Simão, onde Henrique contou tudo o que se passou, até o medo que sentiu de ir para no fundo do poço, mas os mistérios da ilha não paravam por aí, por todos os cantos da ilha tinham mistérios inexplicáveis, é há coisas para qual não há explicação.
Capítulo III
Um encontro importante
Era final de novembro 1956 estava quase no fim e as coisas estavam se acalmando na ilha, os pedidos estavam sendo entregues no prazo e tudo graças ao Chico Moura, seu Durval estava orgulhoso da sua escolha.
****
Marujo dos Rios
Nunca se tinha visto tanta movimentação na humilde ilhota que ficava no meio do Delta do rio Parnaíba, as salinas estavam abarrotadas e o dono da Empresa Esniza tinha de entregar suas encomendas no prazo, o Capitão Chico Moura que fazia o trajeto da Ilha de Igoronhon até Parnaíba estava a dias que mal via sua esposa Dona Rosa que estava grávida de seu terceiro filho, segundo a parteira da região o que estava por vir era uma menina e ela poderia nascer a qualquer momento, com isso Rosa e Chico já tinha escolhido o nome, seria Raimunda, o casal tinha um sonho, deixar a ilha de Igoronhon e se mudar para a Parnaíba a princesinha do Igaraçu, onde vivia a família de Rosa. As duas filhas e a que estava por vir podiam crescer em um lugar melhor que aquele onde só haviam na sua grande maioria homens funcionários da empresa, na cidade as meninas poderiam estudar e ser alguém. Chico Moura estava manobrando a lancha da empresa para ancora - lá quando “Bastião” um menino de recado que morava do lado da casa dele veio correndo avisar que Rosa ia dar a luz, o capitão deixou o barco aos cuidados de Chico Pio e pulou dentro d’água, correndo para sua humilde casa, chegando a porta ouviu o primeiro choro da filha Raimunda, a parteira abriu a porta do quarto e ele entrou, vendo sua esposa com a filha deitada na cama se pôs a chorar de emoção, suas outras filhas entraram no quarto e abraçaram o pai , uma nova fase estava por vir na vida daquela humilde família.
Com o nascimento de Raimunda crescia o desejo de Chico mudar-se para Parnaíba, 1956 tinha sido um bom ano para o marujo dos rios, haveria uma promoção na empresa e todos sabiam quem era o provável escolhido para ocupar o cargo de administrador da fazenda, que era sede da empresa, Francisco Moura, o cargo era de confiança, tinha de levar o dinheiro que a empresa arrecadava para Parnaíba e outra parte para Tutóia, o último funcionário o “Seu Vicente” foi pego desviando dinheiro.
Mas como sempre acontece a inveja tomou conta de alguns funcionários que almejavam o cargo que até então seria oferecido a “Seu Chico”, falavam que ele dava carona a alguns ribeirinhos até cidades próximas e que isso atrapalhava as viagens, falavam que seria perigoso, pois ele poderia ser assaltado, realmente ele dava carona, mas nada que atrapalhasse seu caminho e ele não dava carona para qualquer um só para pessoas de Igoronhon que precisavam ir até outros vilarejos ribeirinhos. De nada adiantou no dia 20 de outubro, as portas do escritório ficaram fechadas por uma hora lá dentro estava Durval o chefão da empresa e Chico Moura, a conversa foi tensa, pois Durval queria ter certeza que escolhera a pessoa certa para o cargo e depois de tantas recomendações foi oficializado o que todos já sabiam, o capitão era o novo administrador da fazenda. Logo que saiu da sede foi em casa para contar a novidade a Rosa e também para as três filhinhas, Raimunda completava dois meses e as coisas estavam cada vez melhores as filhas mais velhas Antônia e Zélia estavam grandinhas e já iam começar a freqüentar a escola da empresa. Com o novo cargo Chico Moura viajava frequentemente para a cidade, quando estava chegando ao Igoronhon ele tocava o apito da lancha e sua duas filhas corriam para buscá-lo e contavam historias de suas brincadeiras e de que sua mãe havia brigado com elas sem razão, claro que não era verdade, as meninas eram um tanto quanto sapecas e corriam soltas por toda a ilha mexendo com os animais e subindo nas árvores, Rosa cuidando de filha pequena não podia ficar correndo atrás das outras duas filhas então queria elas por perto, quando Chico ia saber o porque de Rosa ter brigado com as meninas ela já ia logo avisando: “ Se as meninas já foram falar que eu briguei com elas, eu briguei mesmo e o senhor, “Seu Chico Moura” se achou ruim faça um colar com elas e leve no pescoço”.Eles riam e tudo ficava bem, Rosa e Chico eram só amor, as meninas tinham a sensação de morar no paraíso afinal nunca saíram de lá e aquela ilhota era o mundo inteiro.
Capítulo II
Enquanto os funcionários dormem
Igoronhon era um lugar para lá de tranqüilo, todos se conheciam, eram compadres, comadres, grande parte da população da ilha era de homens, como era uma ilha de salinas havia muitos trabalhadores de fora que formavam pequenos arraias onde ficava os alojamentos para os homens dormirem, eram mais de cinqüenta homens em cada alojamento, várias noites esses homens eram assombrados por um estranho ser, que atendia pela alcunha de Casca grossa, ele nunca era visto, o que se via era apenas um vulto andando por entre os alojamentos, escolhia um, entrava e lá dentro escolhia uma homem ou várias e então introduzia um sabugo de milho em suas vítimas e sumia, os outros trabalhadores acordavam assustados com os gritos dos colegas de trabalho, muitos já tentaram montar guarda, em vão os que ficaram de guarda foram atacados ou nem chegavam a ver o tal ser, só ouviam os gritos desesperados dos colegas atacados. No meio de tantos trabalhadores um em especial se destacava no meio deles, era Henrique que tinha ficado de guarda aquela noite ele apenas viu o vulto de alguém passando por entre os alojamentos, ninguém sabia ao certo o que era ou quem era o Casca grossa, acreditava-se que seria a alma de um índio que vagava por lá, pois na época do desbravamento das ilhas do Delta do Parnaíba muitas tribos foram dizimadas a partir de então muitas assombrações que apareciam lá era atribuídas a este fato,outros diziam que era um escravo morto que anda atrás de vingança, Henrique chegara a pouco tempo na ilha e já ouvira falar das lendas do lugar, ele não tinha demonstrado medo, afinal era paraibano brabo, de Conceição do Piancó, fugido de sua cidade achou em Parnaíba a oportunidade de começar vida nova trabalhando na Esniza, o trabalho era pesado, quando acabava o serviço, antes de ir para o alojamento ia jogar baralho com os amigos na bodega do velho Simão e de lá ia conversar fumando um porronca com seus colegas de trabalho, Henrique era jovem, alto e forte tinha o rosto moreno do sol, era um homem de poucas palavras mas gostava de trocar umas palavras antes de dormir, nessas conversas ouvia historias do Casca Grossa e outras como a do poço encantado que havia do outro lado da ilha onde se podia ouvir alguém pedir socorro, as vezes ouvia-se gritos desesperados, poucos tinham coragem de passar perto, as vezes os trabalhadores faziam apostas de quem era capaz de ir pegar um balde de água durante a noite, poucos corajosos se atreviam, Henrique já participou de uma aposta e trouxe o balde de água, mas segundo disse aos companheiros sentiu algo que poucas vezes sentiu, medo. Uma noite estava Henrique e seus companheiros sentados do lado de fora do alojamento, conversando sobre “causos” então começaram a falar de um poço que havia do outro lado da ilha onde ninguém tinha coragem de pegar água, dificilmente alguém chegava perto do poço, então Henrique desconhecendo a história falou que gostaria de ir ver, ou melhor, ouvir pessoalmente, só acreditava vendo, então se fez a aposta cada um pagaria uma dose de pinga quando ele voltasse, apenas Manoel e “Mundico” apostaram na vitória do paraibano, então deram a ele uma corda e um balde e levaram-no até boa parte do caminho a luz da lua clareava a vereda, chegando em um ponto, seus colegas ficaram e Henrique seguiu só, andou até que perto de uma cerca velha viu o poço foi chegando cada vez mais perto, quando de repente ouviu um barulho vindo do fundo do poço, como se alguém estivesse se debatendo dentro d’água, imaginando ser algum bicho qualquer ele continuou, foi quando ouviu-se o primeiro grito:” SOCORRO!” Aquele grito fez Henrique gelar o corpo, mas continuou andando em direção ao poço, quando estava a três passos de alcanças a beirada do poço o grito foi mais estridente e desesperador: “ME TIRA DAQUI! SOCORRO!” Henrique ficou então paralisado com o balde e a corda na mão não sabia se continuava com aquilo, então juntou forças e coragem, chegando à beirada do poço, olhou para baixo e viu a silhueta de uma pessoa lá embaixo, foi quando os gritos aumentaram: “ESTOU VENDO VOCÊ, ME TIRA DAQUI!” Dizem que foi um jovem que por acidente caiu no poço e morreu afogado, seu espírito não aceitou a morte então ele pede ajuda para sair. Quando Henrique ouviu que a visagem estava vendo ele pensou em recuar e ir falar com os amigos que não tinha tido coragem, mas em um segundo momento achou que teria coragem de continuar, jogou o balde e ouviu ele bater na água, de repente sentiu um puxão forte na corda que quase o fez soltar a corda com balde e tudo, os gritos foram aumentando e não paravam mais: “ME AJUDA! ME TIRA DAQUI, EU VEJO VOCÊ”, até que a visagem questionou: “Você não vai me tirar não?Então você vai ficar comigo!” A corda começou a ser puxada e Henrique já morrendo de medo de ir parar no fundo do poço puxou o balde com toda força que pode, conseguindo tirar o balde do poço os gritos continuaram e Henrique correu o mais rápido que pode deixando os gritos para trás, ele chegou a se perder pelo caminho até que encontrou os amigos, ele mostrou o balde, quase toda água havia derramado pelo caminho, mas ainda tinha um pouco para provar o feito, os amigos o parabenizou-o e foram pagar a aposta na bodega do Simão, onde Henrique contou tudo o que se passou, até o medo que sentiu de ir para no fundo do poço, mas os mistérios da ilha não paravam por aí, por todos os cantos da ilha tinham mistérios inexplicáveis, é há coisas para qual não há explicação.
Capítulo III
Um encontro importante
Era final de novembro 1956 estava quase no fim e as coisas estavam se acalmando na ilha, os pedidos estavam sendo entregues no prazo e tudo graças ao Chico Moura, seu Durval estava orgulhoso da sua escolha.
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Agosto de 1957, Raimunda está fazendo um ano, na casa dos Mouras a comemoração é modesta só a família mesmo, um bolo de fubá e grapette, Antônia a filha mais velha ajudou a preparar o bolo, ela tinha apenas seis anos mas fazia questão de ser prestativa, Chico Moura chegou, com uma boneca de presente para Raimunda, todos cantaram parabéns e comeram do bolo depois foram ouvir a novela no rádio, as meninas logo foram para a cama dormir, amanhã seria um novo dia. Zélia tinha cinco anos e havia pegado à mania de comer terra, vivia doente da barriga, Dona Rosa, já havia feito o diagnóstico, era verme, o remédio era óleo de Rizo, era uma gritaria, Zélia corria por toda casa, não queria de jeito nenhum tomar aquele óleo horrível, mas Dona Rosa era rápida e com a ajuda de Antônia pegou Zélia levou para tomar banho de rio junto com Antônia e lá lhe deu uma bela colherada de óleo de Rizo que fez a menininha ter enjôos, Rosa advertiu que se ela vomitasse iria dar outra colherada, ela então engoliu tudo, Antônia riu e também ganhou uma colherada para prevenir.
Havia passado um ano que Raimunda nascerá, Rosa e Chico com todo aquele amor tinham uma leve suspeita, Rosa estaria grávida de novo, já fazia uma semana que a menstruação não descerá, eles estavam muito felizes, queriam encher a casa de crianças, não importava se fosse menino ou menina, a criança seria muito bem vinda, eles chamariam a parteira para ela poder dar certeza de que Rosa estava realmente grávida. Chico andava preocupado com os funcionários da empresa, o Casca Grossa havia atacado quatro funcionários numa noite só, muitos queriam vingança, outros descobrir como se fazia para banir a assombração daquela ilha, então Chico resolveu ele mesmo falar com os funcionários e assim o fez, saiu de casa direto para o alojamento dos trabalhadores, pegou carona no jipe da empresa que era guiado por “Seu Amaral”, os dois conversaram bastante sobre as aparições do Casca Grossa e chegaram a conclusão que dificilmente conseguiriam se livrar de tal assombração, chegando perto do alojamento, Chico saltou do Jipe e Amaral seguiu seu caminho quando foi chegando viu um rapaz jovem, moreno e forte se organizando com os outros trabalhadores para não acontecer novos ataques, o capitão então aproximou-se do jovem e perguntou seu nome, era Henrique que estava ali na frente do Capitão Chico Moura, eles se apresentaram e Seu Chico pediu para conversar uns instantes, sentando-se nos tamboretes que ficavam do lado de fora, a conversa começou com a preocupação que Chico Moura ele queria dar um jeito naquilo, Henrique que estava nos últimos tempos com o status de chefe dos trabalhadores por sempre está organizando a rotina e as tarefas dos funcionários, todos já tinham ouvido falar do jovem só não sabiam porque ele estava tão longe de casa e por ele nunca falar de sua família e de sua vida, ele expor sua preocupação em relação a visagem, Chico Moura prometeu que resolveria o caso de qualquer forma, os dois se levantaram e apertaram as mãos, eles ainda não sabiam mas ali era o inicio de uma grande amizade.
Capítulo IV
E o tempo passa devagar
Chico Moura caminhava em direção ao porto, o caminho de calçamento coberto de areia fina fazia sua botina fazer um rangido estranho que só se ouvia em Igoronhon. Filomena a parteira da vila, acabara de sair da casa dos Moura e no meio de seu caminho encontra nosso herói, então ela parou Seu Chico, cumprimentou-o e contou a novidade, realmente Rosa estava grávida de um mês, um sorriso brotou no rosto do capitão que não prestou atenção na conversa da parteira ele apenas se despediu e foi para o porto pegar a lancha rumo a Tutóia . Nesse mesmo momento uma outra lancha chegava ao porto trazendo um grupo de dez novos operários, entre eles um senhor de chapéu, de poucas palavras, de feições enigmáticas, durante a viagem não falou uma palavra com os outros passageiros que passaram à viagem interagindo uns com os outros, era um homem misterioso, que estava na ilha para realizar uma missão que iria mudar a vida de muitos moradores da vila.
Henrique com o dinheiro que vinha conseguindo economizar deixou os galpões do alojamento e se mudará para uma casa próxima a igrejinha de Santa Rosa de Lima, mas religiosamente às cinco da manhã ele saia de casa e ia juntar-se a seus companheiros de labuta, ajudando a organizar os trabalhadores cada qual para seu determinado serviço, esse talento para líder chamou a atenção de Seu Chico e de Durval, que ficaram de arrumar um cargo para Henrique, quando Chico Moura chegasse de Tutóia isso seria conversado, enquanto isso o Capitão seguia pelos igarapés cheios de guarás vermelho voando de um lado para outro, coisa como essa poucas pessoas podem apreciar, de um lado da margem o mangue com suas raízes aéreas cobertas de lodo do outro o mangue começava a dar lugar a um pequena duna que destoava do resto da paisagem, às vezes se podia ver um golfinho ou uma lontra, no fim do dia as garças costumavam fazer um show, e o céu ficava dividido entre as garças brancas e os guarás vermelhos, nesse espetáculo da natureza, entre o vai e vem da lancha que se desviava dos bancos de areias pelo caminho o tempo passava devagar e quando menos se esperava a lancha chegava a Tutóia.
Capítulo V
Um escudeiro para o Capitão
Chico Moura vendo a lua já alta no céu percebeu que não conseguiria voltar de Tutóia a tempo, a maré estava baixa demais para arriscar, então ele resolveu dormir na cidade nas proximidades do porto, e foi direto ao escritório da Esniza que sempre tinha um quartinho nos fundos que servia para esse tipo de ocasião, enquanto isso na ilha tudo corria bem, como de costume, os dez funcionários que chegaram à ilha se instalaram nos alojamentos incluído o senhor misterioso de chapéu que enfim abriu a boca, Mundico veio dar boas vindas aos novos companheiros de trabalho, então ele cumprimentou cada um, apertou a mão e perguntou pelo nome de cada trabalhador, quando chegou ao senhor de chapéu ele esquivou-se, mas parece ter se arrependido do que fez e estendeu-lhe a mão dizendo seu nome: - Prazer sou Dimitri! Depois se virou e arrumou sua cama, enquanto todos conversavam do lado de fora em volta de uma fogueira, Dimitri estava sentado só, dentro do galpão e limpando as escondidas dois revolveres calibres 38, ele repetia baixinho as ordens que receberá. Qual seria o propósito de Dimitri?
Era noite, as estrelas pareciam mais brilhantes que nos dias anteriores, Filomena estava dentro de sua casa, as horas passaram e ela nem se deu conta de sua janela aberta, o relógio baterá meia noite, quando Filomena que estava a tricotar se deu conta, levantou-se e foi à janela, ao chegar olhou o céu e parou para admirar um pouco a beleza daquele firmamento, ela olhava distraída quando de repente ouviu-se um relinchar de cavalo bem próximo, ela abaixou a vista para ver quem era, quando viu a sua frente um cavalo negro com um cavaleiro de roupas escuras e com dentes de ouro, ao olhar fixamente para o cavaleiro ele abriu a boca soltando uma labareda de fogo, Filomena soltou um enorme e estridente grito e caiu ao chão, desmaiada, enquanto isso em outro local da ilha um dos guardas entra correndo no alojamento anunciando que a casa da fazenda estava pegando fogo, os trabalhadores se levantaram rápidos com a urgência, pegando baldes e mangueira, ao longe se via as labaredas e gente correndo para apagar o fogo, quando chegaram perto da casa, o lugar estava em seu mais perfeito estado, Seu Durval, acordou com tamanha movimentação na frente de sua casa e saiu à porta, um grupo enorme de trabalhadores estavam em frente à casa com roupas de dormir e baldes nas mãos, então ele percebeu o que ocorrerá, há muito tempo quando a ilha foi desbravada os índios invadiram a ilha e tocaram fogo na casa, naquela mesma noite, os brancos mataram todos os índios que foram a ilha, desde esse dia uma vez ao ano a casa era vítima dessa visagem, explicando a velha historia aos funcionários Durval se despediu e agradeceu a atenção dos trabalhadores, cada qual surpreso com a historia foi voltando para seu alojamento e a noite continuou tranqüila.
Logo de manhã cedo, a sobrinha de Filomena acorda e se depara com a janela da sala aberta e sua tia no chão desacordada, depois desse episodio Filomena nunca mais foi à mesma. Eram cinco da manhã quando Henrique adentrou o alojamento dos operários com um sorriso no rosto e com a mesma disposição de todos os dias, logo ficou sabendo da chegada de novos operários, quando foi se encaminhar para o alojamento ao lado para dar as boas vindas, Amaral veio lhe passar um recado que Henrique estava sendo chamado na casa da fazenda por Durval, o jovem subiu no velho jipe laranja de Amaral e pegou o rumo da fazenda, no caminho o velho lhe adiantou o que Durval queria, só para deixar o rapaz avisado que Chico Moura precisava de um ajudante e Henrique fora escolhido para o cargo.
Capitulo VI
Um amor para toda vida
O velho jipe alaranjado ia percorrendo as ruas sem muito movimento, era cedo e não havia crianças para correr atrás do carro como acontecia geralmente, enquanto se dirigiam para a casa da fazenda, Henrique ouviu um horrendo grito vindo da casa logo à frente, uma linda jovem saiu correndo pedindo por ajuda, Henrique pulou do jipe e abraçou a jovem que ele vira pela primeira vez, quando ela pousou a cabeça no seu ombro e chorou, ele não teve reação e apertou-a com seus braços, um frio invadia seu corpo, estava sentido aquela sensação pela primeira vez, depois de alguns segundos que pareceu mais uma vida inteira ele conseguiu como que com um sussurro perguntar o que estava acontecendo, então a jovem falou que sua tia estava morta na sala, Amaral já correrá para dentro da casa, Filomena estava deitada no mesmo lugar onde caiu durante a madrugada, Amaral verificou o pulso e a respiração, ela estava viva, então a pegou nos braços e Henrique hipnotizado pelo perfume de flor que ficou em seu corpo depois do abraço na jovem desesperada, disse a ela que ficaria tudo bem e a conduziu até o jipe para levar Filomena até o Seu Arthur, médico da vila, no caminho ele perguntou pelo nome da jovem que respondeu entre um soluço e uma lágrima, que se chamava Bianka, o paraibano Henrique ouviu aquele nome e como que automaticamente falou o seu, ela sentou no banco de trás do jipe colocou a cabeça de sua tia no colo e foi alisando os cabelos castanhos da tia até chegar a porta do pequeno pronto socorro, uma casa de quatro cômodos que servia para as coisas de pouca gravidade, Seu Arthur permitiu que a moça ficasse lá enquanto examinava Filomena, Seu Amaral chamou Henrique em um canto e lhe lembrou que Seu Durval ainda o esperava, os dois se despediram do médico e Henrique ficou de passar por lá na volta para levar Bianka para casa, a moça concordou com um sim choroso.
O velho jipe pegou o caminho de paralelepípedos que levava a casa da fazenda, as crianças corriam atrás do velho jipe laranja, velho, mas que era ainda de grande utilidade para Seu Amaral que já se livrou de muita estrada lamacenta com sua máquina laranjada, chegando à porteira da fazenda Henrique pulou de cima do Jipe e foi pedindo licença para entrar na sala de Durval. A sala continha poucos moveis apenas uma mesa envernizada, a cadeira acolchoada e uma mesinha de canto com duas garrafas, uma de Cajuína e outra de aguardente, além de três copos em cima de um pano de prato branco com o desenho de flores, as paredes da sala eram de um branco encardido com quadros com pinturas litorâneas e desenhos de Seu Durval ao lado da esposa, aqueles desenhos típicos da maioria das casas do interior do nordeste. Havia uma única janela, ampla que se podiam ver as salinas ao longe e a rua de calçamento logo depois do pequeno muro, o patrão de pé em frente à janela de costas para Henrique mandou que ele entrasse e fechasse a porta, em poucas palavras disse que só não brigaria com ele pelo atraso por já saber da noticia de que Henrique estava a salvar Dona Filomena, depois foi ao assunto que interessava, queria lhe entregar o cargo de ajudante de Chico Moura, queria que seu funcionário estivesse lá, mas ele demoraria a voltar de Tutóia então resolveu não esperar, Henrique agora estava sendo promovido a auxiliar, tendo que inclusive fazer viagens a Parnaíba com Chico Moura, depois da conversa Henrique apertou a mão de seu patrão e foi atrás de Bianka, mal sabia ele que ela mudaria sua vida como contaria futuramente a um estranho em uma conversa em Parnaíba. O ajudante do capitão só esperava a chegada de seu chefe para começar a trabalhar, enquanto isso sem saber, a morte espreitava. Ele depois de deixar Bianka em casa caminhou em direção ao porto chutando as pequenas pedras do caminho, olhava para os lados como quem espera algo, ele havia sentido um sentimento novo, seu dia havia sido um bocadinho agitado, ele passou por pescadores e por meninos que transitavam por perto do rio, escolheu um lugar calmo no cais e sentou-se mergulhando seus pés na água e olhando para o horizonte, seus olhos observavam as nuvens como se lá estivesse escrito o seu futuro, mesmo sabendo que muita coisa boa havia acontecido algo de ruim estava por vir e ele sabia que precisava ser forte e que talvez o Capitão seria uma peça importante para que ele conseguisse vencer o que estava por vir e o que ele havia deixado para trás, o sol aos poucos sumia no horizonte e as sombras tomavam conta da ilha do Igoronhon, amanhã seria um novo dia.
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