Dai-me paciência!  

Postado por d.b em



Por Sueli Martins

Devo confessar, antes de mais nada, duas coisas. A primeira é que você não vai ler nada de extraordinário que vá mudar a sua vida totalmente e que você, na verdade, pode ficar um pouco entediado lendo isso aqui. A segunda é que eu sou uma viciada em Paciência. Quem diria... Isso mesmo que você leu. Não que eu goste dessa virtude imposta para nós, reles humanos, nesse mundo cada vez mais injusto e capitalista. O que eu gosto é de sentar na frente do computador e jogar um bom Paciência Spider. Mas devo dizer também, assustadoramente, que a minha compulsão é exageradamente cínica. Digo isso porque sou exigente em relação à estética e à qualidade do jogo. Acostumei-me com a versão Super Mega Blaster Delivery do Windows Vista e, de repente (para me salvar também da falta de paciência pela lentidão), vi-me obrigada a jogar em uma versão horrorosa e pobre do Windows XP, o que me deixou chateadíssima. Foi aí que comecei a perceber o quanto o meu vício adentrou-se em nível avançado. Eu não consigo me render a esse Paciência, que me faz perder a paciência, tão feinho e sem-graça. Meus vícios são elegantes e por isso mesmo fui em busca de um Paciência "classudo" para baixar na Internet.

No salve salve www.baixaki.com.br de todos os dias encontrei várias versões que pudessem me tirar daquela agonia infernal. Baixei um tal de SolSuite que me pareceu muito gracioso e realmente, durante alguns dias eu me sentia bem e me sentia satisfeita. As cartas se moviam com maestria e os sons realmente soavam "jogatinamente". Fumar um cigarrinho e ganhar um "Spider dois naipes" nunca havia sido tão interessante. Tornara-se um hábito amistoso abrir aquele joguinho e ouvir um som de um piano que, em notas, dizia: "seja bem-vindo". Além disso a Dama que aparecia na abertura do jogo é igualzinha àquela atriz gatona protagonista do Legalmente Loira. Todos os dias eu batia ponto no meu cassino virtual e me sentia feliz com isso.

Os jogos continuavam e meu tempo melhorava a cada jogada. Eu ganhava muito mais do que perdia e isso massageava meu ego sensivelmente. Eu gostava de ver o movimento das cartas girando, ou descendo verticamente, correndo horizontamente, e tantas outras formas que ele tinha de exibir a minha doce vitória ao final. E eu perdia cada vez menos. Até que uma pulguinha atrás da orelha me surgiu aos poucos, em questão de algumas semanas de bel prazer: será impressão minha ou em todas as vezes que eu jogo há, no mínimo, um Valete de copas nas primeiras cartas abertas? Com o passar do tempo eu pude comprovar a minha teoria e percebi que realmente tinha razão - o que me deixou encabulada - e após quase um mês de devoção àquelas cartadas comecei a achar estranho o teimoso Valete.

Decidi recorrer ao truque de escolher o número do jogo. Ele dizia ter mais de um trilhão de possibilidades e então eu tentei jogar o jogo número 1. Como questão de honra, talvez. E, para minha surpresa, não consegui jogar a combinação de número 1. Nem a 2, nem a 3, nem a 0000454254533. Isso, meu caro, foi pelo simples fato do jogo só vir com 6 combinações. Digo isso com extrema vergonha, pois somente depois de um mês é que eu percebi que aquele joguinho de bosta só tinha seis combinações. Pense na minha crise de auto-estima e no quanto me senti mal por não ter descoberto isso antes! Eu jogava todos os dias, mas como eu fazia jogadas diferentes, eu não percebia que eu já tinha ganhado aquele mesmo jogo há, pelo menos, 6 dias atrás.

Aquela porcariazinha só tinha um trilhão de possibilidades se eu pagasse $ 19,90. Então, em completo acesso de raiva, retirei o programa do meu computador e até agora estou em busca de um Paciência de qualidade que entenda as minhas necessidades e que me desafie, de fato. Poxa, eu nem preciso de um trilhão, não. Só mil já estaria de bom tamanho. Mas olha, que me dá impaciência de ficar baixando joguinhos fajutos, isso dá. Haja paciência, viu!

This entry was posted on terça-feira, 21 de abril de 2009 at 04:29 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the comments feed .

3 comentários

juro que na metade do texto fui tomado por uma incontrolável vontade de jogar paciência... mas quando li aquele final trágico perdi toda a vontade mesmo.

21 de abril de 2009 às 12:18

suelizinha,querida, poste mais... poste mais... não vai mudar a minha vida mas é przeroso ler-te... bjs

21 de abril de 2009 às 12:33

hehehe!
Minha amiga, você é ótima!

25 de abril de 2009 às 20:50

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