Os cunhados do Vinícius  

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Artistas de São Paulo encantam 1200 pessoas do DF com música e dança afro

O grupo de cultura afrobrasileira Umoja promoveu várias apresentações e uma oficina em agenda lotada durante o fim de semana passado. Visitaram 4 satélites diferentes e encantaram de adultos a crianças com sua qualidade artística

Por Vinicius Borba*

Com muita ginga e beleza, um furacão de cultura negra passou por Brasília. Foi o Instituto Umoja, de culturas e dramaturgias afrobrasileiras, que visitou as terras do Planalto e deixou saudades por onde passou. Vindos à convite da Associação Sociocultural Radicais Livres, o grupo trouxe o resultado de alguns anos de pesquisa de seus 15 membros em torno da cultura negra tradicional, desde o samba de roda ao maracatu e candomblé. Eles se apresentaram em São Sebastião, Itapoã, Planaltina, Riacho Fundo II e no Plano Piloto, em escolas, casas de shows e na Universidade de Brasília (UnB).

Com toda sua graça, impactaram o público para o qual se apresentaram, de aproximadamente 1200 pessoas nos quatro dias, segundo os Radicais Livres, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) responsável pela produção do grupo nas localidades. Foi a 1ª Semana de Identidade e Valorização Negra.

A idéia da Associação Radicais Livres, sediada em São Sebastião, era estimular a luta contra o racismo. Conscientes de que o 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura, foi ressignificado nos anos 80 como Dia Nacional de Luta contra o Racismo, os Radicais decidiram agir na raiz do problema: usar a arte como o caminho, como ensina seu slogan. E assim o fizeram. Por meio do edital de intercâmbio aberto pelo Ministério da Cultura, convidaram o Umoja, grupo de intensa prática na área de cultura afro, para apresentar seus trabalhos. O resultado foi uma grande interação dos grupos e dos membros do Umoja com as populações do DF e vários artistas da localidades.

Sexta-feira: UnB, Itapoã e São Sebastião

Após a chegada seguiram para a UnB, no Plano Piloto. Com apoio do Núcleo de Promoção da Igualdade Racial realizaram cortejo pelo "Minhocão" e depois apresentaram-se em frente ao Restaurante Universitário.


À tarde, apresentaram-se para aproximadamente 480 crianças no Colégio de Educação Infantil, no Itapoã, uma das zonas mais carentes do DF na atualidade. A vibração da criançada foi tamanha que o Umoja promoveu a maior ciranda já feita na história do grupo. As bailarinas do grupo não se contiveram e foram às lágrimas.



À noite, mais uma edição do tradicional Sarauradical, realizado há seis anos na cidade de São Sebastião. Com o tema "Consciência e Liberdade: contra o racismo, a arte como o caminho", o evento teve um público de aproximadamente 150 pessoas. Além do poeta negro convidado Rego Jr., e das poetisas Polyana Preta e Denny Santos, a exposição de artes plásticas ficou por conta de Carly Barbosa, moradora de São Sebastião e também estilista na produção de calçados com arte. No Sarau, o Umoja apresentou seu show completo: afoxés, sambas de roda, do partido alto, maracatus e a linda canjira com o Orixá Exú, interpretado pelo dançarino e ator Washington Timbó. Segundo o coordenador do grupo, Euller Alves, "Exú é o Orixá que representa o poder de comunicação, que permite as interrelações entre nós, e por isto estamos aqui na Capital".



Sábado: oficinas e cortejo em São Sebastião

À tarde, o Umoja trouxe, com apoio da Direção do Centro Educacional (CED) São Francisco, as oficinas de capoeira, percussão afro e danças afrobrasileiras. Todos os 30 participantes puderam vivenciar as três oficinas. Com o resultado, encerraram a bela tarde com um cortejo à Feira Permanente de São Sebastião. Arte na rua, para o povo.


Domingo: bençãos de Oxum no Tororó, Festival Sucupira e tocata com o Mestre

Após visita à cachoeira do Tororó, à 7 km da cidade, o grupo seguiu para prestigiar um pouco da cultura brasiliense e interagir com alguns artistas do DF, no Festival Sucupira, no Campus da UnB em Planaltina. Ao fim das apresentações cairam no samba e puseram todo o público a agitar. Como se não bastasse, um dos concorrentes do Festival era o artista popular pernambucano e morador de Ceilândia, Zé do Pif. Com suas Juvelinas, Mestre Zé foi convidado fa azer o que mais sabe. Com os instrumentos em mãos, o Umoja acompanhou o Mestre Zé e as Juvelinas em seu coro de pífanos. Uma experiência única.




Segunda: show no Riacho Fundo II e diálogo na Fundação Palmares

Pela manhã, mais 200 crianças interagiram com os artistas para conhecer melhor a arte negra tradicional. Também cirandaram com ajuda das professoras e bailarinos do grupos. Em seguida o Umoja participou de audiência com a Chefe de Gabinete da Fundação Cultural Palmares (FCP), Eliana Borges. A intenção da visita do grupo era ressaltar a importância da luta do povo negro pela cultura em São Paulo, e tentar melhorar a relação da localidade com a Fundação. Segundo Eliana, em breve será formalizada uma reestruturação na Fundação, criando-se 5 sedes regionais em grandes capitais. Dentre elas São Paulo e Salvador. Ela ressaltou ainda a possibilidade de participações brasileiras no III Festival Mundial de Artes Negras, a ser realizado em janeiro de 2009 em Dakar, Senegal. Segundo Eliana, serão abertos editais para a participação.




Crédito das fotos: Guma

Confira as demais fotos na comunidade dos Radicais no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=8287677212303345017&aid=1242811465

* Vinicius Borba é jornalista, branco e tem um grande e caricatural nariz aquilino. Além disso, se casará em breve com a Néia, que é irmã do Euller, cordenador do grupo. Néia é negra, irmã dos negros e soberana, e por isso Vinícius Borba fez de tudo para agradar seus cunhados de São Paulo, para não perder a sua doce DulceNéia. E que venham os moinhos de Cervantes! ass.: d.b; co-editor pentelho.

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1 comentários

como diria meu conterrÃneo e mano caetano: O umojá é lindo. Valeu, galera. Unidade entre nós. abraços radicalistas, dagomé

21 de maio de 2009 às 19:22

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