Sin perder la ternura jamas!
Por Vinícius Borba
Em pleno mês de aniversário, São Sebas, nossa querida, que comemora já há 16 anos sua emancipação como cidade, quando em 25 de junho de 1993 deixou de ser agrovila. Sim, aos desavisados, eu estava lá, no auge de meus 7 anos de idade. Na barra de minha mãe e meu tio, curtindo altas pivetagens com os filhos e parentes do Tião Areia e de Dona Maria. De comíssio para comíssio, mal sabia que hoje cá estaria eu falando sobre o ressurgimento daquele velho sentimento da agrovila.
Sei que, até meus 6 anos de idade, vivi em meio aos arranha-céus de Porto Alegre, minha cidade de origem. Quando minha mãe nos pilhou a vir para cá, viemos com a grande promessa de vivermos na Chácara do Tio Borba. Dizia que lá teríamos uma eguinha pocotó pra curtir uns "rolézinhos". E assim foi. Eu e minha irmã curtimos ondas lindas com nossa famosa égua Estrela. Lembro-me bem, de quando aportamos aqui em época de natal. Um tempo nublado, pleno verão, um clima de cidadania no ar, com a derrubada de Collor, parlamentarismo em discussão, blababla... Idos de 92.
Naquele tempo vivi o que melhor pode haver na infância de alguém: morar num lugar nem tão perto, nem tão longe da cidade, com um cerrado maravilhoso e um caseiro criado no mato. Edimilson nos mostrou várias plantas e suas propriedades, daquela sabedoria antiga dos ex-escravos mais sábios.
Era um tempo de uma outra São Sebas. Muitos eucaliptos. E nós, mulequinhos de rua, malandrinhos por natureza, íamos a alguns poços tomar banho. Um tal de Siv Solo arretado passava tinta vermelha em grandes X nas frentes de algumas casas. Aquilo era mau sinal. Mas ninguém desanimava. Muitos ainda persistem. Naquele tempo, íamos no Morro Azul jogar sinuca no bar do Souza. Ir do centro até o Morro era uma aventura. Podíamos encontrar as manadas de outros muleques e ter de enfrentá-los. Mas era um status inimaginável ser o rei daquelas sinucas. E o "S" do Sena? Hum! Apostávamos altas corridas de magrela por lá. Era o extremo da emoção, da adrenalina. Haviam também as caçadas de estilingue, atrás dos passarinhos, que sinceramente nunca entendi, já que eram tão magrinhos e daquela carne em nada nos fartaríamos. E nossos pais numa função danada, um tal de reunião e o escambal. Nós, filhos, só queríamos nos encontrar pra aprontar mais. Mal sabíamos o que se passava. Era todo o processo de emancipação da agrovila para Região Administrativa de São Sebastião.
Era um tempo de uma outra São Sebas. Muitos eucaliptos. E nós, mulequinhos de rua, malandrinhos por natureza, íamos a alguns poços tomar banho. Um tal de Siv Solo arretado passava tinta vermelha em grandes X nas frentes de algumas casas. Aquilo era mau sinal. Mas ninguém desanimava. Muitos ainda persistem. Naquele tempo, íamos no Morro Azul jogar sinuca no bar do Souza. Ir do centro até o Morro era uma aventura. Podíamos encontrar as manadas de outros muleques e ter de enfrentá-los. Mas era um status inimaginável ser o rei daquelas sinucas. E o "S" do Sena? Hum! Apostávamos altas corridas de magrela por lá. Era o extremo da emoção, da adrenalina. Haviam também as caçadas de estilingue, atrás dos passarinhos, que sinceramente nunca entendi, já que eram tão magrinhos e daquela carne em nada nos fartaríamos. E nossos pais numa função danada, um tal de reunião e o escambal. Nós, filhos, só queríamos nos encontrar pra aprontar mais. Mal sabíamos o que se passava. Era todo o processo de emancipação da agrovila para Região Administrativa de São Sebastião.
Éramos amigos do Seu Tião. Sabe aquele matuto matreiro, tipo “come queto”. Esse é Tião. E na casa dele era sempre legal. Tinha arroz amarelo, as brigas dos irmãos do "Luquinha", com rôdos e facas, muito barulho pra pouco resultado. E eles tinham uma relação familiar muito diversa, afinal eram muitos irmãos. Dona Maria, ah Dona Maria, sempre com aquela sabedoria adventista, mediando os conflitos da filharada, como só ela soubesse acalmar os medos de escuro e aflições. E aquela mineiridade, que jamais esquecerei, uma "caipirisse" nata. Religiosa que só ela, com sua fé de rocha. E ainda, eu e minha irmã, gaúchos, tentando imitar os maneirismos e sotaques daquele povo. Um jeito de falar que fazia piada de tudo. Seu Tião e Dona Maria eram pura agrovila. Mas aquilo precisava mudar... Precisava??? Corta--

Um movimento de resgate cultural muito forte vem se demonstrando na atualidade brasileira. Por bastante tempo, tivemos a fraca idéia de que se parecêssemos mais modernos traríamos o progresso -- e isto implicava em abandonar nosso lado tradicional, caipira, de raiz. Foi muito importante rachar com os valores patriarcais e moralistas dos anos 40 e 50, com o advento do rock’n roll como música de subversão e quebra com os moralismos sexuais. Porém, como típicos brasileiros, valorizar o de fora, e acabar colonizados por subestimar as culturas tupiniquins é uma espécie de amuleto maldito.
Mas já nesta época de São João, há festas tradicionais em todo o país. Caruaru, em Pernambuco é uma das maiores do Brasil e de grande tradição. Algo vinha sendo perdido. Então, a comissão organizadora instituiu que, neste São João de 2009, ninguém poderia tocar música nenhuma que não da tradição original das festas. Nada de "lapada na rachada" ou calcinhas pretas... Não, não, eles queriam ver o pé de serra, os bacamarteiros e os coros de pífanos. Estão lá também o duplo sentido e as piadas, como muito gostava e ensinava o mestre Luiz Gonzaga. Mas não dá pra apelar. Afinal, já diria o grande filósofo Jesuinos, “Apelou perdeu!”. E os outros, ah, tem o ano inteiro de casas de shows para fazerem o que já tem tocado nas novelas--músicas de duplo sentido, alguma pornografia, versos sem sentimento. Só com sensação! Sensacionalmente quase sem muito senso...
Já há seis anos que tanto a Festa da Cidade, sempre comemorada próxima do 25 de junho, assim como a Exposição Agropecuária de São Sebastião eram realizadas em conjunto para diminuir os orçamentos. Após a desastrosa experiência do aniversário do ano passado, com tiros e violência, uma comissão de pessoas da área rural determinou por realizar as festas em separado, para trazer a família rural. E prontamente a Administração atendeu e etc. Dividiu-se o orçamento em dois e assim se fez. O argumento dos organizadores era querer resgatar o caráter rural da Exposição, que com os diversos shows que vinham ocorrendo -- de rock, axé, rap-- vinha sendo bastante descaracterizada a festa. E nem a família rural sentia-se atraída a participar da própria festa.
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on quarta-feira, 17 de junho de 2009
at 14:23
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