O rock em São Sebastião - Parte 1 de 3  

Postado por d.b

Há muitos anos, no jornal "O Quarenta", que circulava no Centro Cultural PSB, hoje rebatizado com o nome do escritor Allan Viggiano, tive a oportunidade de publicar um artigo de minha autoria que contava, de maneira resumida, a história do rock em São Sebastião.
Só para começar, contarei um pouco sobre a atmosfera do início do movimento roqueiro em São Sebastião.
Não existia.
Não, é sério mesmo.
O rock não existia em São Sebastião.
A primeira iniciativa foi dada por pessoas comuns que nem bandas tinham.
Alex, um letrista e Patrícia, sua esposa, foram os primeiros a tentar iniciar alguma coisa nesse sentido. E olhe que lá se vão dez anos. Alex e Patrícia montaram uma loja de artigos de rock na cidade, coisa que nos dias de hoje se encontra até na feirinha.
A loja, porém, foi um fracasso.
Perseguidos por fanáticos religiosos e assolados pela falta de retorno financeiro, foram obrigados a fechar as portas. O fracasso, porém, não foi tão grande quanto se esperava. A semente estava plantada e a revolta dos jovens, idem.
Cerca de dois a três anos se passaram.
Quase ninguém se lembra dos antigos esforços de Alex e Paty.
Mas o tempo nunca pára de pregar peças. Ironicamente, o rock havia ressurgido com força, graças a cantoras como Cássia Eller e bandas como Raimundos, que tomavam de assalto às rádios.
Poucos sabiam, mas, em São Sebastião, brotava uma pequena revolução. Duas bandas de rock - genuinamente daqui da cidade ­despontavam para um pequeno público que se formava.
Seus nomes eram: Proletários e 8ª Dinastia.
Segundo Roberto, o guitarrista, o Proletários fez seu primeiro ensaio no dia nove de outubro dos idos de 1999. Ele então ignorava que começava ali uma revolução. A banda, como muitas outras, começou meio por acaso. Formada na época por integrantes de fora de São Sebastião, o grupo sofreu com o descaso do público da cidade, por causa do som que faziam. Seu estilo era pesado, sendo influenciado por bandas como Nirvana e Ramones, com destaque para muitas influências de bandas do Plano Piloto, tais como Cabelo Duro e DFC.
Ensaiavam fora da cidade, mais precisamente no estúdio Pan, na Asa Norte.
A banda não ficou conhecida com esse nome devido à falta de uma cena roqueira na cidade. Seus integrantes foram: Roberto, na guitarra; Robério, no baixo e Carlos, na bateria, sendo este último o único que não morava na cidade. A banda se tornaria ainda uma lenda entre os jovens com o nome de Dissidio, mas ai já é outra história...
De acordo com Jônatas, que tinha por codinome Jojó, o 8ª Dinastia foi também uma banda influenciada por bandas de fora da cidade. Inspirados na banda TNT (banda raiz) e na banda Birinight, do Lago Sul, o 8ª Dinastia ficaria conhecida por fazer um som mais leve, o que influenciaria algumas outras bandas, como Depois do Começo, A Vingança dos Sete Filhos da Mãe Joana e também Desastre, Rebeldes (não é a banda mexicana, Deus os livre) e Orgasmo. A formação inicial do 8ª Dinastia contava com Duda Lemos, no vocal; Marcelo Black, no baixo; Jojó, na guitarra, e Palito, (hoje no Birinight), na bateria. Devido a problemas internos, a banda 'dissidiu' (só um trocadilho para espairecer...) lá pelos idos de 1999 -2000. Corre, à boca pequena, o comentário de que a banda voltou a se reunir novamente, mas, segundo Jonatas, são apenas boatos.
Bem... Este é apenas o inicio da saga do rock'n'roll nesta cidade. No próximo número, contarei a história da segunda geração do rock da nossa cidade.
Até lá!

Marcos Neves é cantor e compositor. Tendo um vasto currículo na cena roqueira local, integra, atualmente, o escore da banda Heavenburn e, graças ao convite do Radical News, renomado fanzine da cidade, realiza levantamento histórico da cena roqueira de São Sebastião, desde os primórdios até os dias de hoje, o que será feito em três partes, uma vez que acreditamos estar vendo (e vivendo) a terceira geração desse movimento.

“Radical News”, novembro de 2006, p.3.

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