Dagomé: multiartista de São SebastiãoCristina Fausta
Repórter
Um sarau caseiro se transformou em um grande evento que reúne cerca de 500 pessoas todas as segundas e terças-feiras do mês na principal avenida comercial de São Sebastião. É o "Sarau Radical", idealizado pelo baiano de Vitória de Conquista, Paulo Sena Santos, 40 anos, ou somente Paulo Dagomé, como é conhecido pela comunidade. O evento é uma festa literária, musical e teatral e a sua repercussão tem sido tão grande que, agora, o problema é com o número de pessoas que não pára de aumentar. "Sempre há dificuldades para fazer as coisas ditas culturais porque estamos na periferia O acesso a eventos no Plano Piloto é complicado, cada vez que temos que sair, precisamos de dinheiro para transporte, lanche, enfim é oneroso; então resolvemos fazer cultura na nossa cidade", explica.
Dagomé é compositor, artista plástico e poeta e para sobreviver trabalha como vigia noturno. Toda essa carga artística não tinha vazão até o dia em que pensou em realizar um musical junto com outros artistas da cidade. A idéia não vingou, mas o baiano e o grupo "Radical livre" [sic] não desistiram. Em março de 2003, começaram a recitar poesias, encenar peças teatrais e apresentar composições do grupo na casa de um amigo. “O sarau, a princípio, era para que nós pudéssemos conhecer a produção local. Nesses encontros descobrimos dezenas de atores, artistas plásticos, poetas, músicos e o local começou a ficar pequeno” comemora.
Seis meses depois, o sarau passou a acontecer na pizzaria "Via livre", na principal avenida da cidade e, para surpresa do grupo, o evento teve um "boom" em tempo recorde. "Nós achávamos que a cidade era totalmente voltada para o funk, forró, pagode e axé. A comunidade nos mostrou que também aprecia a criação, o teatro, a música, a dança e a poesia Sem divulgação, o primeiro sarau reuniu cerca de 250 pessoas, hoje são cerca de 500 a cada sarau", conta. Em 2005, o grupo Radical livre, que deu origem ao evento, ganhou dois prêmios em festivais brasilienses: o "Sesc Esquete Show", no qual levaram o terceiro lugar e a premiação de melhor ator; 60 grupos participaram do festival.
No "Serv Music", festival direcionado a servidores públicos do DF, levaram 16° lugar entre 300 bandas que se apresentaram no evento. "Esses prêmios elevam nossa auto-estima", comenta. Apesar dos resultados, Dagomé lamenta que o grupo não tenha meios para mostrar os trabalhos em outras cidades satélites e no Plano Piloto. "Muitos grupos que perderam para nós no festival estão na mídia, estão ganhando espaço", lamenta, mas não perde o ânimo. Em breve, estarão montando uma feira de cultura que acontecerá simultaneamente com o sarau.
Fonte: "Hoje em Dia", 469, 30 de abril a 6 de maio de 2006, p. 14.
Repórter
Um sarau caseiro se transformou em um grande evento que reúne cerca de 500 pessoas todas as segundas e terças-feiras do mês na principal avenida comercial de São Sebastião. É o "Sarau Radical", idealizado pelo baiano de Vitória de Conquista, Paulo Sena Santos, 40 anos, ou somente Paulo Dagomé, como é conhecido pela comunidade. O evento é uma festa literária, musical e teatral e a sua repercussão tem sido tão grande que, agora, o problema é com o número de pessoas que não pára de aumentar. "Sempre há dificuldades para fazer as coisas ditas culturais porque estamos na periferia O acesso a eventos no Plano Piloto é complicado, cada vez que temos que sair, precisamos de dinheiro para transporte, lanche, enfim é oneroso; então resolvemos fazer cultura na nossa cidade", explica.
Dagomé é compositor, artista plástico e poeta e para sobreviver trabalha como vigia noturno. Toda essa carga artística não tinha vazão até o dia em que pensou em realizar um musical junto com outros artistas da cidade. A idéia não vingou, mas o baiano e o grupo "Radical livre" [sic] não desistiram. Em março de 2003, começaram a recitar poesias, encenar peças teatrais e apresentar composições do grupo na casa de um amigo. “O sarau, a princípio, era para que nós pudéssemos conhecer a produção local. Nesses encontros descobrimos dezenas de atores, artistas plásticos, poetas, músicos e o local começou a ficar pequeno” comemora.
Seis meses depois, o sarau passou a acontecer na pizzaria "Via livre", na principal avenida da cidade e, para surpresa do grupo, o evento teve um "boom" em tempo recorde. "Nós achávamos que a cidade era totalmente voltada para o funk, forró, pagode e axé. A comunidade nos mostrou que também aprecia a criação, o teatro, a música, a dança e a poesia Sem divulgação, o primeiro sarau reuniu cerca de 250 pessoas, hoje são cerca de 500 a cada sarau", conta. Em 2005, o grupo Radical livre, que deu origem ao evento, ganhou dois prêmios em festivais brasilienses: o "Sesc Esquete Show", no qual levaram o terceiro lugar e a premiação de melhor ator; 60 grupos participaram do festival.
No "Serv Music", festival direcionado a servidores públicos do DF, levaram 16° lugar entre 300 bandas que se apresentaram no evento. "Esses prêmios elevam nossa auto-estima", comenta. Apesar dos resultados, Dagomé lamenta que o grupo não tenha meios para mostrar os trabalhos em outras cidades satélites e no Plano Piloto. "Muitos grupos que perderam para nós no festival estão na mídia, estão ganhando espaço", lamenta, mas não perde o ânimo. Em breve, estarão montando uma feira de cultura que acontecerá simultaneamente com o sarau.
Fonte: "Hoje em Dia", 469, 30 de abril a 6 de maio de 2006, p. 14.
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on quinta-feira, 5 de junho de 2008
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