Ícone da vida artística da cidade, grupo Radicais Livres cresce na cena cultural do DF
Rodrigo Lopes
Os Radicais Livres S/A são uma espécie de “caldeirão cultural” no Distrito Federal. Com cinco anos de existência, o grupo tem poetas, pintores, músicos e atores. É heterogêneo, mas está reunido em torno do desafio de promover a cultura em São Sebastião, região carente em opções artísticas e programas públicos de incentivo à cultura. Mensalmente, a trupe organiza o Sarau Radical, evento que engloba diversas manifestações artísticas. “É uma espécie de vitrine do grupo, onde cada um pode apresentar a sua arte”, afirma Mauro César, editor de vídeo e membro dos Radicais Livres. No Sarau, os integrantes do grupo fazem um trabalho partilhado: produzem e apresentam, organizam e expõem. Estão por trás e à frente do espetáculo.
Sempre indagados pelo significado da expressão “Radicais Livres S/A”, o grupo afirma não existir um motivo especial para o nome. “Queríamos um nome imponente. Daí apareceu a idéia dos Radicais Livres S/A”, afirma Paulo Dagomé, músico, pintor e um dos fundadores do grupo. O termo “S/A” significa “Sociedade Anônima”, e faz referência ao anonimato vivido pelo movimento cultural em seu início.

O começo do trabalho dos Radicais Livres foi marcado por uma visão “autopiedosa”, segundo Paulo Dagomé. Motivados pelas origens, os integrantes do grupo tendiam a utilizar o rótulo de “favelados que fazem arte”. “Não tínhamos confiança no que fazíamos. Só depois do reconhecimento do público nas apresentações é que perdemos o medo da afirmação do nosso grupo”, conta Dagomé. Para Luiza Pinheiro, organizadora do Sarau Radical, o movimento também se desenvolveu com a intenção de desmistificar a imagem de São Sebastião como uma cidade limitada aos problemas, especialmente pelos surtos de hantavirose e dengue nos últimos anos. “As pessoas ainda têm uma visão de distância da cidade”, afirma Luiza.
De acordo com Dagomé, o grupo enfrentou outro desafio no início do trabalho dos Radicais Livres: o gosto cultural do público de São Sebastião. “Fazíamos uma arte mais ou menos elitista, com poesia e MPB, em uma cidade marcada pelos ritmos populares, como o axé e o funk”, conta. Todavia, as apresentações do grupo chamavam a atenção de um número crescente de pessoas, contrariando o medo inicial de um espetáculo restrito. “Quando houve oportunidades de mostrar uma arte desse tipo, as pessoas gostaram”, afirma o pintor. Atualmente, os Radicais Livres S/A rodam o Distrito Federal com apresentações artísticas.
O movimento cultural dos Radicais Livres é marcadamente variado em termos de produção artística. Evita estigmas e rejeita a imagem de um grupo intelectual. Segundo Karla Ramalho, artista de 19 anos, não existe um consenso sobre as preferências do grupo. “Vemos filmes de arte, assistimos Big Brother e bebemos coca-cola. Não entendemos esses rótulos sobre o que se deve ou não fazer”, comenta a artista.
Entre as principais formas de manifestação das idéias dos Radicais Livres está o jornal Radical News, dedicado à divulgação de artigos, poemas e informações sobre o grupo. O jornal é publicado ininterruptamente há três anos, e distribuído mensalmente nos Saraus. No ultimo Sarau Radical, realizado em fevereiro, o grupo lançou o Salto Alto – o jornal feminino dos Radicais Livres. “Temos poucas mulheres no grupo. O jornal surge como forma de mostrar o que nós pensamos”, conta Karla Ramalho, uma das criadoras do Salto Alto.
Apesar das dificuldades locais, os problemas relacionados à atividade cultural – como escassez de recursos e falta de oportunidades de exposição - não se limitam a São Sebastião. “Vemos os mesmos problemas quando visitamos outros movimentos culturais, em outras regiões do Distrito Federal”, afirma Diogo Ramalho, poeta e estudante universitário. Assim, com a intenção de ampliar a luta pela causa cultural, os Radicais Livres S/A pretendem se institucionalizar, na forma de uma organização não-governamental – a OnG Radicais Livres. “Pensamos em uma organização que nos ajude a lutar pela cultura no DF, mas que não interfira no nosso espírito libertário”, comenta Paulo Dagomé.
O próximo Sarau Radical acontece no dia 14 de março, na Academia Golfinho, em São Sebastião
Fonte: "Na Prática - Jornal laboratório do IESB". Publicado em 7 de março de 2007. Disponível em http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=7418
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on quinta-feira, 5 de junho de 2008
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